Outubro 18, 2008

Dr. House
Season 5
Episode 4

Agosto 06, 2008

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.


Alberto Caeiro

Julho 24, 2008

Joseph Arthur - My Home Is In Your Head

You want to be free
Don't act like it's bad
I'm already dead
My home is your head

Hey You and me
Can't get what we need
Hey You and me
Can't get what we need

You're a suicide
Only out for revenge
You can't controll my mind
If I don't believe your're gonna try

Hey You and me
Can't get what we need
Hey You and me
Can't get what we need

You want to be free
Don't act like it's bad
I'm already dead
My home is your head

Hey You and me
Can't get what we need
Hey You and me
Can't get what we need

Julho 09, 2008

I Will Not Be Pushed, Filed, Stamped, Numbered, Briefed, Debriefed...
My Life is My Own.

Julho 08, 2008



Dá-me as tuas lágrimas,
Eu choro-as por ti.

Come like the dusk
Like a rose on the grave of love
You are my lust
Like a rose on the grave of love

I curse the day I first saw you
Like a rose that is born to bloom
Don't look at me the way you do
Like the roses, they fear the gloom

Your thorns, they kissed my blood

Your beauty heals, your beauty kills
And who would know better than I do?
Pretend you love me!

Come like the dusk
Like a rose on the grave of love
You are my lust
Like a rose on the grave of love

Indeed, reality seems far

When a rose is in love with you
Slaves of our hearts, that's what we are
We loved and died where roses grew

They watched us silently

A rose is free, a rose is wild
And who would know better than I do?
Roses are not made for love.

Julho 01, 2008

a eterna insatisfação



como será que se sente uma folha, envolta em marés vivas?
Quando se habitua ao bater das ondas numa determinada direcção, surge um vento forte, uma vaga, um mudar de direcção, e tudo se transforma de novo, tudo se inverte.
como será que se sente um barco pesqueiro no mar alto do Norte?
Poderoso, imponente, toneladas de ferro, bruto e no entanto, a àgua, leve, transponível, gela-lhe o casco e levanta-o no ar como uma folha de Outono é levada por uma leve brisa.


Como me sinto eu, quando uma leve brisa dói como o rebentar das marés vivas?


Preciso de bom porto, recuperar das gélidas vagas, voltar a ter o fulgor de embarcação capaz de enfrentar as estrelas.


Janeiro 06, 2008

A seta apaixonou-se pelo vento
quis deixar-se levar pela sua força.
Voamos os dois na mesma direcção
mas o vento só vai para onde lhe apetece.

A seta apaixonou-se pelo vento
quis deixar-se levar pelo seu talento.
E entramos os dois numa combinação
que tendia para o infinito inequivocamente.

Amanha não vais ter tanto encanto
Amanha não vais ter tanto encanto
Amanha não vais ter tanto encanto
Amanha não vais ter tanto encanto
Não vais ter...
Não vais ter...
...tanto encanto.

E o vento apaixonou-se pela seta
quis deixar-se acompanhar pela coisa concreta,
surgia como justificação,
para a materialidade de um traço no céu

E o vento apaixonou-se pela seta,
quis fazer com ela a volta completa.
Mas a seta estava farta de dispersão,
voou para Barcelona e deixou solidão.

Amanha não vais ter tanto encanto
Amanha não vais ter tanto encanto
Amanha não vais ter tanto encanto
Amanha não vais ter tanto encanto
Não vais ter...
Não vais ter...
...tanto encanto.
...tanto encanto.

----

e eu... serei seta ou vento?

Janeiro 04, 2008

Será possível gostar tanto de alguém que deixamos de ser nós mesmos?
Um dia disseram-me que havia muitos tipos de amor, que existiam muitas formas de amar e que eu iria ser feliz. Mas eu não sei lidar com os sentimentos, não me sei barrar a eles. Sou assim, impulsivo e vivo sempre no extremo do que posso ter.
Quando voltei a gostar, todo o meu corpo, habituado ao recentemente adquirido controlo das emoções, se ressentiu. Toda a minha capacidade de me controlar, de entender, de pensar foi ultrapassada por sentimentos, dúvidas e inconsistências imaginárias.
No meio disto tudo, quem me conhece dizia-me “epa… isso nem parece teu…” e não era, não era eu… era tudo o que eu não compreendia que me controlava.

Amei demais, até me sentir cortar por esse amor. Até sentir que os meus ossos, o meu sangue, o meu respirar eram parte desse amor… e nesse amor, eu era eu mesmo. As proporções que tudo isto tomou é que fugiram do controlo de ambos, fomos amando e tornando o outro parte de nós e sem saber lidar com isso, matamo-nos.
Seguindo cada um o seu caminho. Crescendo cada um no seu rumo, mesmo que de formas paralelas, eis que chego a uma porta que me decidi a abrir. De novo o sentir, de novo o querer… não soube, não consegui, não me permiti ser.

E assim, voltamos à pergunta inicial, será que é possível gostar tanto de alguém que deixamos de ser nós mesmos? Não pelo facto de não conseguir estar sem a pessoa, ou de não ser sem a pessoa… mas sim pelo facto que quando se está com quem que nos provoca todos estes sentimentos, não conseguimos abrir a nossa porta, deixando que um estranho ser tome conta de nós e nos faça agir e reagir de forma incoerente com o que somos.

Queria conseguir ser, ao teu lado. Mas não consigo…
E a tua ausência… magoa-me.

Dezembro 20, 2007

Meti o barco ao mar, para ficar a meio caminho.

FUCK ME SANTA!!!
FUCK ME!!




E nos dias mais banais
Uns assim, todos iguais.
Somos apenas nós,
Somos apenas sós.

Há amores assim

Dezembro 12, 2007

Cineclube de Olhão

pessoal, atentem na iniciativa do CineClube de Olhão!






Carreguem na imagem

Dezembro 11, 2007

.

Porque eu sou o hoje que o ontem fez.
Não vivo nele, vive ele em mim.

petites histoires

1.
E ela pegou-lhe na mão. Levou-o suavemente para a beira do mar e sentou-o. A roupa deixou-se molhar pela espuma da imensidão e os pés, quentes, gelaram. Que estranha sensação esta, de corpo frio e peito quente. Que estranha forma de sentir, agora que não se sente.

2.
A máquina disparava de forma quase insana. A vontade de guardar aqueles momentos, de os registar tomavam conta dele. Ela continuava, com o corpo, o sorriso, as formas. Tudo nela parecia dizer para a seguir, para a adorar. E ele fê-lo. Sentiu o seu ser aproximar-se, sem que o corpo se movimentasse. As duas almas mutaram-se, entrelaçaram-se, amaram-se sem se tocar, sem que a pele de um sentisse o sabor da do outro e numa espiral metafísica nasceu o respirar de um dragão, quente e flamejante luxúria.

3.
“Que jeitoso estás, assim de fato…” e ele sorri, semi-envergonhado, permitindo-se despojar do controlo sobre os sentimentos. E ela segura-o de forma vigorosa e puxa-o para si, beija-o devagar e apenas com a ponta dos lábios, a ponta da língua tenta furar, saborear, dar a sentir a vontade de que ele seja seu.
E assim o fato dá lugar ao negro vestir, e os botões de punho substituídos por correias de cabedal que o puxam contra a parede, que o impedem de respirar. Ofegante sente-a seguir o seu peito com a ponta dos dedos. Olha-a nos olhos, que bonita é... a boca tapada, o corpo despido de desnecessária roupa, os sapatos altos de verniz e a tanga fina, preta.
O corpo estremece, tenta tocar-lhe, mas ela foge, goza com o poder que tem sobre ele. O gozo é mútuo…

Outubro 19, 2007

eu não sou todos os outros

vagueei e perdi-me...
perdi-me algures no meu passado,
que cantei,
muitas vezes, fruto do imaginado.

De italiano nada tenho,
mas com o filme me comparo...
Completo idiota, andava feito actor
Novamente fingindo,
uma vida com fervor!

Dei por mim a olhar para ti,
encontrando-te nos meus desencontros.
Principesa que sorriu, pim* que se tornou.

Abri a porta a medo, serias tu que ali estavas?
eram os teus olhos rasgados, lindos e por mim amados.
sorri contigo, e sem ti chorei, no medo de te perder.
Já tinha a porta aberta...
Agora? Nada a fazer...

Tenho-te em mim,
quero-te, sem dor...
mas por fim, desilusão em ti criei,
por isso agora choro... meu amor.


Outubro 18, 2007

pensamoentos

Como podes conhecer-me,
Se não falo…
Como podes querer,
Se eu calo!
Pego em ti,
Levo-te ao que conheço
Deixo que fale por mim!
Te mostre o que escondo…faça o meu preço.

Não sei porque o faço
Ou se faço por querer…
Sei que te quero
Como quem quer viver!

Qual Imperador, deixei-me levar.
P’los teus olhos rasgados, teu sorriso de luar…
P’las mãos suaves que me acarinham.


Os beijos sonolentos... e o abraço que me acalma…
És Tu, que me trazes de volta a alma.

Outubro 16, 2007

u put the D on my Day...

this the way i love you *


Flaws And All - Beyonce
Colocado por vindiezel


I'm a train wreck in the morning
I'm a bitch in the afternoon
Every now and then without warning
I can be really mean towards you
I'm a puzzle yes indeed
Ever-complex in every way
And all the pieces aren't even in the box
And yet, you see the picture clear as day

I don't know why you love me
And that's why I love you
You catch me when I fall
Accept me flaws and all
And that's why I love you
And that's why I love you
And that's why I love (hmm)

I neglect you when I'm working (ha ha ha uhn)
When I need attention
I tend to nag (oh oh ha uhn)
I'm a host of imperfection (ha ha ha uhn)
And you see past all that (hm hm uhn uhhhh uhn)
I'm a peasant by some standards (ha ha ha ha uhn)
But in your eyes I'm a queen (oh oh ha uhn)
You see potential in all my flaws (ha ha ha uh uh)
And that's exactly what I need

I don't know why you love me
And that's why I love you

You catch me when I fall
Accept me flaws and all
And that's why I love you
And that's why I love you
And that's why I love you (ah)


ha ha haa ha ha uhn! ha ha haa ha ha uhn
ha ha haa ha ha uhn! ha ha haa ha ha uhn

Don't know why you loooove me
[ha ha haa ha ha uhn ;ha ha haa ha ha uhn]
And that's why I looove you
[ha ha haa ha ha uhn ha uhn! ha ha ha ha uhn]
You catch me when I fall
[ha ha haa ha ha uhn!]
Accept me flaws and all
[ha ha haa ha ha uhn]
And that's why I looove you
[ha ha haa ha ha uhn, ha ha haa ha ha uhn]
And that's why I looove you
[ha ha haa ha ha uhn! ha ha haa ha ha uhn]
And that's why I looove you
[ha ha haa ha ha uhn! ha ha haa ha ha uhn]
You,You, you, oh, you, you
[ha ha haa ha ha uhn]
You, you, you
[ha haa ha ha uhn]
You, no, you
[haa ha ha uhn]
You, you
[haa ha ha uhn]
You, you.

Outubro 09, 2007



Caem como folhas
Lágrimas no seu rosto
Suavemente descem
Deixam-lhe o desgosto

Entre dois suspiros
Sopro-lhe na face sem favor
Abre-se a janela
Tenta um disfarce

Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Deixo-me ficar

Nunca quis saber nunca quis acreditar
Que tu irias partir não podias cá ficar
nunca quis escutar muito menos quis ouvir
O teu silêncio que avisava a intenção de não voltar
Podes crer
Bem que me disseram para nunca me agarrar a uma pessoa a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora para que servem estes olhos se não podem
mais te ver
Queria ver queria saber
O que fazias tu que estás aqui a observar
Tás a ver tás a perceber
Pode ser que um dia a gente volte a se encontrar
Agora embora, agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho p’ra pensar
Embora agora que a minha alma chora
Como disse alguém
Vou-me perder para me encontrar

Esse choro triste
Desespero seu
P’ra tentar dizer
Nada se perdeu

Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno

Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante

Dois Lados do Mesmo Adeus - Donna Maria

Outubro 06, 2007

feeling blue

just like a bird without a feather
you know im lost without your love
just like a bird without a feather
you know im lost without your love

you know i need your loving
just like the angels need heaven above
well, i done shot that woman
shot her 'cause she done me wrong

yeah, i love that woman
says she ain't love no one but me
yeah, but i caught that woman cheatin'
now our home ain't where it used to be.


from the movie Black Snake Moan

Agosto 13, 2007









já não sei sorrir... a felicidade tenta encontrar-me, assumo que de todas as vezes que fugi o fiz porque não suportava a ideia do risco, o medo tomava-me de rompante e eu, fraco, não conseguia ficar.


Decidi tentar, arriscar pode não ser assim tão mau, pensei. Nem todas são assim, nem todas as pessoas me querem magoar...ou o vão fazer sem pensar em mais nada que não seja o seu bem-estar. Dizendo isto parece que as pessoas de quem fugi o queriam fazer. Não é verdade... a minha mente e mais que tudo, o meu peito dilacerado, que ao menor bater do novo coração que se começa a criar, grita de dor, habituado ao vazio não consegue suportar o movimento ora calmo ora alucinante do sorriso, da paixão, da vontade.


Magoo-me mais a mim que aos outros, posso eu pensar, até aqui chego a ser egoista... sei lá eu o quanto magoei as outras pessoas, o quanto lhes custou o meu virar de costas... mas virei-me tantas vezes porque não queria que me vissem chorar, e tantas outras não me voltei de novo para elas porque as lágrimas salgam a ferida e dói ainda mais.


Decidi não pensar, deixar ir é capaz de saber bem, outra vez. Se já foste feliz, porque não o podes ser de novo? A resposta é tão simples que me chega a fazer ela mesma rir desenfreadamente. Quando um não quer, dois não dançam. E eu já quis tanto, e há tanto que não danço.


Torno-me noutro, faço-me diferente, mascaro-me do que não quero ser e do que não suporto nas outras pessoas. É mais fácil assim, se ficar a ver os outros dançar é mesmo porque eu não o sei fazer. Mas quero tanto, quero tanto agora, já. Porque faço eu o contrário? Não sempre, mas por vezes. Por vezes quando o sorriso aparece e o peito outrora cheio, que se habituou a ser só, começa a abrir, a ferida sangra, o medo aparece, a dor acutilante faz-me tremer, a vontade sobe e fortalece o que a alma não consegue acompanhar, o sentimento.





Sinto falta de sentir.

Julho 24, 2007

Devotchka - You Love Me


Under the mother eyes of the Mexican sky
She was happy and it shows in the sun
And it was fate laid in stone
Sacred heart, sacred ground
Her two children and we moved as one

And you said you loved me
You said you loved me

Now there’s something missing
when you’re kissing me
It’s subtle yet it’s gone
And then I’m suspicious
And then it gets vicious
And then it’s a hole right through the heart

And you said you loved me
I thought you loved me

Now there is an ocean of time
Between your life and mine
You look happy and you’re married again
And oh my Lord how you’ve grown
To find me still alone
I am humble
I’m still trying to forget

When you said you loved me
I thought you loved me

Julho 23, 2007





O que procuramos nós?


Andamos pela vida como se fossemos a descer uma rua na baixa a ver as montras. Tentamos ter sempre ao nosso lado pessoas que nos façam sentir bem, por fora.
Descemos as avenidas iluminadas e esquecemos as ruelas cheias de vida e personalidade.
Observo as pessoas e pergunto-me o que aconteceu para que perdêssemos a capacidade de sermos nós mesmos, de olhar ao espelho e pensar que gostamos de nós desta ou daquela forma sem que haja mais um milhão de pessoas a pensar o mesmo.
Porque procuramos nós, pessoas que sejam iguais a tantas outras?
Não se trocam palavras, trocam-se olhares.
Não se promovem abraços, procuram-se beijos.
Não se sente, vive-se.
Mas será a vida apenas o passar dos dias? O contar do tempo sem que se retenha dele sorrisos e memórias que nos tragam no dia seguinte mais do que apenas o sentimento de mais um?

Junho 11, 2007

Não quero falar com ninguém

Não quero falar com ninguém. Não atendo o telemóvel, não respondo a mensagens.
Desculpem-me, que são poucos os que comigo se preocupam, mas não estou capaz de ouvir as mesmas palavras de sempre.
Eu sei que são bons conselhos, mas que querem que eu faça?
Saber que estou errada não altera, em nada, os meus dias, nem seca as minhas lágrimas.
Saber que não encontro em mim as forças suficientes para agir, ou não agir, ou, simplesmente, aprender a gostar de mim mesma e, portanto, ser capaz de dizer não, tudo isto me seca o ânimo, me devora a claridade, come-me o bater do coração e só reconheço a tristeza e esta sensação pungente de injustiça, uma injustiça que, de tão pesada, me tolhe todas as horas dos dias e todos os dias que estão para vir.
O amor não é cego. Qualquer tipo de amor, por muito que o digam os poetas, não, não é cego, nem surdo e, por isso mesmo, damos a quem amamos o poder de nos magoar.
Uma, e uma, e outra vez.
Às vezes, quando ando na rua e olho quem passa, tento descobrir-lhes a vida. Dou comigo a inventar histórias de amores eternos, paixões proibidas, solidões profundas, enfim, vou inventando um mundo no caminho para o trabalho, do trabalho para casa.
O Silêncio, cada dia, me cobre mais, como se fosse uma segunda pele.
Desculpem não atender o telefone, a vocês, que são os únicos que se preocupam comigo.
Desculpem, mas hoje vou fingir que vivo a vida dos outros e, assim, não terei de olhar para a minha.

by Luísa Castel-Branco in Destak

Junho 08, 2007



Michael Buble – Everything lyrics

You're a falling star, You're the get away car.
You're the line in the sand when I go too far.
You're the swimming pool, on an August day.
And you're the perfect thing to say.

And you play you're coy, but it's kinda cute.
Ah, When you smile at me you know exactly what you do.
Baby don't pretend, that you don't know it's true.
Cause you can see it when I look at you.

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, You make me sing.
You're every line, you're every word, you're everything.

You're a carousel, you're a wishing well,
And you light me up, when you ring my bell.
You're a mystery, you're from outer space,
You're every minute of my everyday.

And I can't believe, that I'm your man,
And I get to kiss you baby just because I can.
Whatever comes our way, ah we'll see it through,
And you know that's what our love can do.

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, You make me sing
You're every line, you're every word, you're everything.

So, La, La, La, La, La, La, La
So, La, La, La, La, La, La, La

And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, You make me sing.
You're every line, you're every word, you're everything.
You're every song, and I sing along.
'Cause you're my everything.
Yeah, yeah

So, La, La, La, La, La, La, La
So, La, La, La, La, La, La, La, La, La, La, La

Maio 19, 2007

as palavras não têm fluido dos meus dedos tanto quanto eu queria... tanto quanto me faria bem...
trago-vos uma música que me agradou...






Found myself just the other day
In the backyard of a friends place,
Thinkin' about you,
Thinkin' of the crowd you're in,
What you up too where you been?
(Just thinkin')

And all the clothes that you wear,
And the colors in your hair
Shouldn't change you
Now you tell me why it's so
You bigger than mighty Joe,
(At lest you think so)

God my fingers burn,
Now when I think of touching your hair
You have changed so much that I don't know,
If I can call you and tell you I care
And I would love to bring you down,
Plant your feet back on the ground

Throw my smoke down on the ground,
Turn my head and I heard the sound,
(That reminded me)
Of the days so young and sweet
Always so much fun to meet
(At lest I thought so)

Now you think your so damn fine

You can rule the world no not mine,
I don't think so

God my fingers burn,
Now when I think of touching your hair
You have changed so much that I don't know,
If I can call you and tell you I care

Now the scene that you're in,
And the people that you been with
Just get to me,
But you think I'm not as cool,
As you are so beautiful
Well who you fooling?

Well I'm here to tell you babe
The game your in is just a game
So damn pretentious

God my fingers burn,
Now when I think of touching your hair
You have changed so much that I don't know,
If I can call you and tell you I care
And I would love to bring you down,
Plant your feet back on the ground

You think you're so beautiful
(So beautiful)

Maio 18, 2007

Maio 03, 2007

Abril 27, 2007

Patrick Wolf-'The Libertine'

The motorway won't take a horse.
The wanderer has found a course to follow.
The traveller unpacked his bags for the last time.
The troubadour cut off his hand and now he wants mine,

(Oh, no )

Oh no, not me.

The circus girl fell off her horse, now shes paralysed.
The hitchiker was bound and gagged, raped on the roadside.
The libertine is locked in jail.
The pirate sunk and broke his sail.

But I still have to go,
I've got to go, so here I go,
I'm gonna run the risk of being free.

The magicians secrets all revealed.
And the preachers lies are all concealed.
And all our heroes lack any conviction.
They shout through the bars of cliche and addiction.

So I've got to go,
I've got to go, so here I go
I'm gonna run the risk of being free.

And in this drought of truth and invention, whooever shouts the loudest gets the most attention, so we pass the mic and they've got nothing to say except:

Bow down, bow down, bow down to your god.

Then we hit the floor, and make ourselves and idol to bow before.

Well I can't,
And I won't
Bow down,
Anymore...

No more.

Abril 23, 2007

Amas alguém?

amei

muito

mais do que a mim

do que a vida

mais do que à família

que aos amigos

amei até me doerem os ossos



e fiquei com a dor.

Março 29, 2007

Roubado à catawyna :)

Fevereiro 24, 2007

morto pelas mesmas asas que ensinaram a voar

Fevereiro 22, 2007

sou como sou...

pedes sempre algo que raramente tem contornos de real.
Como se eu conseguisse voltar a ser depois de ter sido.

Tudo é ao mesmo tempo que deixa de ser.
Quase como a chuva, que bate contra o vidro e escorre,
gota a gota, cada uma atrás da outra sem nunca ficarem ali,
quietas, suspensas no vidro apenas para serem minhas.

Janelas há muitas... gotas vêm e não ficam, escorrem
ou limpo-as eu, que quero ver lá para fora.
Não és gota nem janela, és a brisa que me faz tremer
quando as flores das amendoeiras trazem o teu cheiro
e a lembrança dos teus olhos que me mostram que existi.

E eu, sou como sou, um sorriso teu.

Fevereiro 10, 2007

can i give up?

please....


Janeiro 08, 2007

estou perdido dentro de mim
quieto!
não me vá eu perder mais

misstreated is not the word...
damaged is the feeling.

Dezembro 20, 2006


Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes aonde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.

--------------------------------------------

Depois Disto...Desisto

Tantas coisas que já li
Outras tantas que vivi
Fazem de mim o que sou
Ai se eu tivesse esquecido
Tudo o que tenho vivido
E o coração decorou
Tudo é questão de memória
É o nosso pensamento
Que a vida nos vai passando
A memória faz história
Do que foi cada momento
Que nós vamos recordando
Isto da alma é segredo
Ninguém sabe desvendar
Os porquês de tudo isto
Sabemos que tarde ou cedo
Iremos a enterrar
E depois disto...desisto


Novembro 05, 2006

The Gift - Facil de Entender

just you...

Novembro 04, 2006

Muse - Starlight

Far away
The ship is taking me far away
Far away from the memories
Of the people who care if I live or die

Starlight
I will be chasing a starlight
Until the end of my life
I don't know if it's worth it anymore

And hold you in my arms
I just wanted to hold
You in my arms

My life
You electrify my life
Let's conspire to re-ignite
All the souls that would die just to feel alive

But I'll never let you go
If you promise not to fade away
Never fade away

Our hopes and expectations
Black holes and revelations
Our hopes and expectations
Black holes and revelations

Hold you in my arms
I just wanted to hold
You in my arms

Far away
The ship is taking me far away
Far away from the memories
Of the people who care if I live or die

And I'll never let you go
If you promise not to fade away
Never fade away

Our hopes and expectations
Black holes and revelations
Yeah
Our hopes and expectations
Black holes and revelations

Hold you in my arms
I just wanted to hold
You in my arms

I just wanted to hold

Novembro 01, 2006

já fui feliz...
agora sou só eu, com todo o nada que isso traz.

Outubro 31, 2006

today...
another day...
just here...


crying.

Setembro 21, 2006

Eric Clapton - Tears In Heaven

i really miss you :,(

Agosto 19, 2006

my...

as vezes qdo chego a casa
meio triste
quero-o
mas estou tão murcho que não faço por isso
então ele
que também não quer dar o braço a torcer
parece à porta do quarto
eu olho para ele
fico contente
espero que ele venha
ele vai...
volta...
eu chamo
ele olha...
salta p cima de mim
e ficamos assim caladinhos a amar-nos
 

Julho 29, 2006

Mamanadisquejepeux

bom... se ela "oui" ele "tudo bem"

Julho 14, 2006

SHE (Elvis Costello)

someone - ainda?
me - sim...
someone - e quando...?
me - não sei... talvez nunca
someone - oh.. não podes pensar assim
me - não penso... sinto.

Junho 25, 2006

Roxy Music - All I Want is You

Junho 01, 2006

Nitin Sawhney
Letting Go

Now I often talk of my heart
How can I turn to the dark
And the swaying silence
I see, there’s nothing I can hold on to
You can’t breathe if I hold you tight
You can’t breathe if I hold you tight

Don’t be afraid of letting go
Don’t be afraid of letting go

Not of anything out of anyone
All alone here with my demons
Am I ready to move on
To a person or place
Alone away from here
And I miss you
And I loose you
And I found you
I choose to follow my heart

Don’t be afraid of letting go
Don’t be afraid of letting go

Not of anything out of anyone
Out of anything out of anyone

Don’t be afraid of letting go

Maio 31, 2006


i do not want to feel like this never more

Abril 24, 2006

Estou sentado numa cadeira, frente a um mundo que não reconheço como meu. Olho e não percebo como posso eu ser feliz. Se é que isso existe ou alguma vez o irei alcançar. Dias há em que os sorrisos se seguem uns após outros, que os amigos se transformam em vida e ela nela mesma. Será isso a felicidade? E se eu for diferente? Se os sorrisos não chegarem, se os momentos não forem por si mesmos, se o mundo for pequeno demais e ao mesmo tempo impercorrível? Tenho muito, sou tanto mais, quero algo que já tive, menos não chega, metade seria mais do que tive depois, o todo não existe. O tempo levou-me e trouxe-me por outro lado, por um caminho que eu conhecia mas nunca tinha pisado. Talvez tenha ouvido falar nele, num qualquer sonho que se pensa não existir quando se vive de sonhos. Quando com ele curzamos, sentimos aquele frio no corpo, que nos aquece e faz virar o mundo do avesso, para o vermos a direito. Ver de olhos vendados pelo que queremos e não pelo que temos. O que eu quero não tenho porque não quero.

Abril 23, 2006

And it came to me then that every plan
is a tiny prayer to father time
As I stared at my shoes in the ICU
that reeked of piss and 409
And I rationed my breathes
as I said to myself
that I'd already taken too much today
As each descending peak
on the LCD
took you a little farther away from me

Away from me...

Amongst the vending machines and year-old magazines
in a place where we only say goodbye
It stung like a violent wind
that out memories depend
on a faulty camera in our minds
But I knew that you were a truth
I would rather lose
than to have never lain beside at all
And I looked around at all the eyes on the ground
as the TV entertained itself

'Cause there's no comfort in the waiting room
Just nervous pacers bracing for bad news
And then the nurse comes round
and everyone will lift their heads
But I'm thinking of what Sarah said
that "Love is watching someone die"


So who's going to watch you die?..


DEATH CAB FOR CUTIE - "What Sarah Said"

Abril 18, 2006

I'm really close tonight
I feel like I've been moving inside her
I´m laying in the dark
I think that I'm beginning to know her
Let it go
I'll be there when you call

Yeah whenever I fall at your feet
And let your tears rain down on me
Whenever I touch your slow turning pain

You're hiding from me now
There's something in the way that you're talking
The words don't sound right
But I hear them all moving inside you, go
I'll be waiting when you call

And Yeah whenever I fall at your feet
You let your tears rain down on me
Whenever I touch your slow turning pain

The finger of blame has turned upon itself
And I'm more than willing to offer myself
Do you want my presence or need my help
Who knows where that might lead
I fall, I fall

Whenever I fall
Whenever I fall
Whenever I fall
Whenever I fall

Abril 16, 2006

dreaming

sentado no pequeno sofá em frente à cama, enrolado no emaranhado de almofadas que teimava em ter como suporte ao corpo cansado dos dias, escrevia. As luzes dos candeeiros novos ecoavam suavemente em tons quentes pelo quarto, reflectindo-se nas diferentes cores que o circundavam. A janela semi-aberta era por sua vez o reflexo do seu espirito, que de novo se começava a levantar, como a fénix das cinzas, do seu leito de escuridão e tentava abraçar a vida, o recomeço.
continuava a morar na mesma casa de há anos, embora repleta de novidades era fundamentada no seu mais interior espaço pelo passado que a tinha sonhado e criado. Esta decisão tinha sido esculpida pela necessidade de se manter ali, embora fosse tempo de lutar contra a estagnação a que se votou também o era de aceitar os seus pensamentos como verdades e sobre eles fazer juízos. Sorriu ao conseguir escolher as palavras certas para o que queria demonstrar, imaginando como seria quando o lessem, sabendo a cada letra, a cada compasso, o que pretendia.

Fecha os olhos e sente o suave aroma do chá maçã-canela - "Há coisas que nunca mudam"- pensa em voz alta, e o som da sua própria voz trá-lo à realidade, na qual se queria embalado pela companhia de doces palavras e ternos olhos.

Abril 03, 2006

Pasolini is me
'Accattone' you'll be
I entered nothing and nothing entered me
'Til you came with the key
And you did your best but

As I live and breathe
You have killed me
You have killed me
Yes I walk around somehow
But you have killed me
You have killed me

Piazza Cavour, what's my life for?

Visconti is me
Magnani you'll never be
I entered nothing and nothing entered me
'Til you came with the key
And you did your best but

As I live and breathe
You have killed me
You have killed me
Yes, I walk around somehow
But you have killed me
You have killed me

Who am I that I come to be here...?

As I live and breathe
You have killed me
You have killed me
Yes I walk around somehow
But you have killed me
You have killed me

And there is no point saying this again
There is no point saying this again
But I forgive you, I forgive you
Oh yes I do forgive you.


Morrissey - you have killed me

Março 24, 2006

pedaços

Adiamos tudo, até que a morte chegue.
Adiamos tudo e o entendimento de tudo,
Com um cansaço antecipado de tudo,
Com uma saudade prognóstica e vazia.

excerto de O Mesmo - Álvaro de Campos

Março 23, 2006


simplesmente um dos melhores filmes que vejo desde há muito. Definitivamente uma entrada directa para o top5!!
Excelente banda sonora, a voz deliciosa do nosso tão bem conhecido Mr. Smith, um casting bem conseguido e uma história que, ao invés de mais um blockbuster hollywoodesco, criou um excelente filme!!

Ideas are bulletproof!
Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!


Alberto Caeiro - Às vezes

Março 22, 2006

kitty

levanto-me, numa tentativa de mais uma vez fugir do inevitável, de ti. Chego ao destino, aqueço o leite e sinto as pernas a tremer, hoje é hoje e por muito que fuja continuará a ser sempre dia 21. Um leve ronronar faz-me sorrir, lembro-me de como ele gostava de roer as sandálias consumidas pelos anos e pela vontade de sempre as usares.
De volta não resisto, preciso de ti, sempre precisei, mais ou menos lúcido, sei-o como sei que preciso de respirar. Ofuscas quem me procura assim como o sol coloca a lua em segudo plano. Estrela que brilha e alimenta, mesmo estando distante.

O ronronar volta, ele parece contente com o que faço. Senta-se em cima do monitor e olha-me de soslaio enquanto passa a lingua pela pata.

Procuro de alguma forma abrir-me de novo para o mundo, sorri. Dei por mim a cantarolar na escola hoje, sempre de sorriso na cara e pensei «voltaste...» continuo pelos corredores fora, que há tanto ocupam parte dos meus dias e os quais estou decidido a tornar na porta do futuro, que se quer mais leve. Decisões tomadas, alegria de viver, de ter renascido... pois quando a dor se tornava fisica, a morte era ali, aquele instante.

E o que fica no depois? Quantas vezes fiz esta pergunta envolto em lágrimas e dor. Raiva incontrolável apenas quebrada pelas memórias... mas tudo passa, tudo muda. Hoje the little kitten ainda se chama kika, mas tem as patinhas brancas e os olhos claros. É mimada e não tão curiosa como a que gostava de se deitar na tua barriga. Mas é linda e lembra-me de ti. Também eu choro quando penso naquela pequena menina deitada na minha, outrora, prinçusa.

Começo numa alegria que me consome... não consigo pensar... escrevo...vejo-te...sinto-te... assumo que queria levar este texto sem objectividade, deixar no ar ideias e vontades, subtilmente respirar o que sinto... mas a vontade já deixou de ser racional a partir do momento em que procurei por Ti, hoje. Quanto mais agora, inebriado pela sede de te tomar no meu abraço. Estendo a mão... é inevitável... quero tocar-te mesmo sabendo que não estás...

Apetece-me contar-te de mim, saber de ti, ser o que for, quando for, como for... mas será que o que quero é o que preciso? Baixei as defesas há muito, talvez depois de me sentir bem comigo mesmo. Agora que para além disso consigo ver o horizonte, continuo a querer-te. Apenas não sei como.

Estou a escrever há horas... as ideias não são racionalizadas, são pintadas aqui em palavras. Leio-me e acho que conseguiria muito melhor, sintacticamente falando... mas o que eu quero é deitar para fora... purgar-me de algo, nem sei bem o quê! Mania de colocar as coisas de forma pessoal! O que eu queria era colocar-me fora de mim mesmo e ver-me, analisar-me ao mais infimo detalhe. Saber-me!! Se me soubesse saberia como te quero... se te quero!

Malditas muralhas que outrora foram quebradas e agora reconstruidas mil vezes mais fortes. Tanto para impedir a entrada de alguém... como a saida do que restava de Ti.

E de novo personalizo, dizem-me para não o fazer... mas como não!? Eu sou eu... não posso fugir de mim mesmo, tenho de me aceitar a mim e ao que quero! Demência ocasional esta das últimas horas... mas boa! Fez-me abrir de novo as portas enquanto estavas de costas e olhar-te, sorridente. Sorri pelo teu sorriso, o Teu.

Se o arrependimento fosse um pequeno corte de papel há muito que tinha socumbido à dor de tantos... disse muito, que não devia. Infantilidades, arrogâncias, cobrei, apontei... estúpido miúdo que viu a felicidade a fugir e teve medo, de ficar só.

Estava a ver hoje um episódio de Dr. House... desde os últimos tempos é a série de eleição, revejo-me naquele médico arrogante e magoado com a vida, sem pingo de interesse por alguém. Mas que neste episódio revê a ex-mulher e o mundo vira do avesso. Ela sabe como falar com ele, sabe como o controlar e direccionar. Tão bem me lembras tu... a determinada cena o diálogo torna-se o reflexo de um sonho muitas vezes tido "I'm not over you" diz-lhe ela... assim me dizem os outros, "o que tu queres é que ela volte" ... será? Continuo a procurar alguém como tu, não sei se te procuro a Ti.

Só sei que te quero.


E agora... quero-a a ela... demais... tenho medo.

Março 13, 2006

um sorriso
embrulhado em lágrimas
uma dor
que já não dói
apenas
corrói.

Fevereiro 21, 2006

desafio... (com lag)

Quais são as cinco coisas mais irritantes acerca de ti?

1- Impulsivo cedo amiúde às vontades do momento...

2- Overprotective para com aqueles de quem gosto...

3- Teimoso

4- irresponsável esta é a pensar no Mauro e no seu "tens de começar a andar de carro mais devagar!!"

5- sonhador por vezes penso que vou ficar para sempre um menino pequenino


o desafio vai para o Mauro, a Inês (responde com acentos!!!)

:)

Fevereiro 20, 2006

differences...

A porta abre, sempre ao mesmo ritmo, esta tem menos dificuldade em fazê-lo que a chave em rodar a combinação que me permite entrar naquele pedaço de mundo que é a minha casa.
Procuro os seus olhos, mas como no dia anterior, relembro-me de que ela já cá não está, decidiu-se a ir, em busca do seu eu, da sua forma de viver. Eu decidi ficar, talvez tempo demais, num passado que teimo em deixar presente em tudo o que faço. Continuo a procurar os seus olhos em todos os outros, assumo, uma loucura, uma insanidade, que até a mim que tenho todas as explicações do mundo e arredores para a manter viva, me começa a incomodar e a tomar contornos de loucura inabalável.

Este é o primeiro dia do resto da minha vida, vamos ver se ele é igual ao ontem.

Fevereiro 05, 2006

levitando




quero ser livre e esguio quero ser teu e meu, toque e arrepio! ser névoa e envolver ao ritmo do teu amar ser véu que cobre, sem nunca tapar.


ao som de DJ Cheb i Sabbah-Solace Saptak, The Samaya Mix

Janeiro 31, 2006

feelings



Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.

Janeiro 30, 2006

you...over and over

Sentado naquele sofá, copo colocado na mesa baixa, ao estilo japonês, escreve poucas palavras, na contracapa de um livro que se mantem ali, há semanas, sem que tenha coragem de lhe pegar e ler os desejos de outros.

"tenho tantas saudades tuas... não consigo colocar por palavras o que sinto dia após dia... noite após noite... sempre tu...nas conversas, nos sorrisos dos outros, nas trocas de olhares, ao fazer amor com outras pessoas... tu, sempre tu... não te consigo esquecer. Assumo que por vezes não quero, que preciso de ficar contigo, mais que não seja na minha memória e vontade. Outras vezes há em que não suporto a ideia de ti, magoa-me a tua existência... é nesses minutos que eu me sinto cmpletamente perdido, sem rumo e vontade de existir...tu, sempre tu, continuas a ser o meu farol. Continuas a ser a força que me dá vida... mesmo indirectamente. Culpa minha, que não suporto a ideia de te ver beijar outra pessoa... que saudade eu tenho dos teus beijos, dos teus lábios, das tuas mãos... de Ti... que saudades... as lágrimas caem, sempre que penso em ti, sempre que sinto o mundo a esvair-se em mim como se areia fosse... abro a mão, deixo a vida escorrer por entre os dedos que perderam a força e vontade de se manterem unidos. Estão hoje inertes, mortos de sentimentos e sentidos. Hoje sou um muro com uma única e minuscula porta, que só tu conheces pequena Sininho sabes e consegues entrar."

a noite continua, assim como Lúcio, esperando o dia, mais um... ou será, menos um?

Janeiro 20, 2006

Amo-te Andreia.

hoje apetecia-me ser poeta
sentir o mundo de uma forma só minha

acabo apenas por te sentir a ti
tu, que já não te sentes sozinha.

a ti, a quem eu ainda amo
de formas que eu nem sei explicar

a mim, a quem já não lembras
em momento algum te faço suspirar

fujo por medo, pelo medo de não sentir
pelo medo de não conseguir
o mundo alcançar.

o mundo és tu,
serás tu para todo o sempre.

deixo-me ficar nesta certeza,
a unica que tenho.

eu sou assim, pequeno e estranho.

Janeiro 16, 2006

Goodbye My Lover - James Blunt

Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bare my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

Janeiro 11, 2006

gosto... pois gosto...

gosto de ti
gosto de andar à chuva
gosto de swings de fogo
gosto do ar da praia num dia de inverno
gosto do por do sol
gosto de gelado de morango
gosto da lareira acesa
gosto do frio na cara de manha
gosto do calor do meu gato no colo
gosto de ti

gosto... pois gosto...
hoje sonhei-te... como ontem e anteontem e no mês anterior... será que amnhã também?

still ... stupidly in love


Lately I've been wishing I had one desire
something that would make me never want another
something that would make it so that nothing matters
all would be clear then

but I guess i'll have to settle for a few brief moments
and watch it all dissolve into a single second
try to write it down into a perfect sonnet
or one foolish line

'cause that's all that you'll get so you'll have to accept
you are here then you're gone
but i believe that lovers should be tied together
thrown into the ocean in the worst of weather
left there to drown
left there to drown
in their innocence

but as for me i'm coming to the final chapter
i read all of the pages and there's still no answer
only all that was before i know must soon come after
that's the only way it can be

so I stand in the sun
and I breathe with my lungs
trying to spare me the weight of the truth
saying everything you've ever seen was just a mirror
spent your whole life sweating in an endless fever
now you're laying in a bathtub full of freezing water
wishing you were a ghost

but once you knew a girl and you named her lover
danced with her in kitchens through the greenest summer
autumn came, she disappeared
you can't remember where she said she was going to

but you know that she is gone 'cause she left you a song
that you don't want to sing
singing I believe that lovers should be chained together
thrown into a fire with their songs and letters
left there to burn
left there to burn
in their arrogance
but as for me i'm coming to my final failure
killed myself with changes trying to make things better
ended up becoming something other than what I had planned to be

now i believe that lovers should be draped in flowers
and layed entwined together on a bed of clover
left there to sleep
left there to dream of their happiness

A Perfect Sonnet - Bright Eyes

Dezembro 12, 2005

semelhanças

CANCIONES

No tardes, Muerte, que muero;
ven, porque viva contigo;
quiéreme, pues que te quiero,
que con tu venida espero
no tener guerra conmigo.

Remedio de alegre vida
no lo hay por ningún medio,
porque mi grave herida
es de tal parte venida
qu'eres tú sola remedio.

Ven aquí, pues, ya, que muero;
búscame, pues que te sigo;
quiéreme, pues que te quiero,
e con tu venida espero
no tener vida conmigo.


Jorge Manrique

Dezembro 09, 2005

sementes

a noite caiu há muito mas eu não durmo. Como em todas as outras noites, não durmo. Fico aqui, frente ao nada em que a minha vida se tornou até o cansaço ser insuportável e aí sim, o sono chega. Durmo, agitado, leve, nunca tive o sono leve, até que me vi sem ti. Agora não tenho razão para dormir, nem para acordar, não vejo o que posso alcançar. Eras como que o simbolo de que eu podia realizar grandes coisas, se te tinha conquistado a ti, nada era impossível.
Sinto a vida a sair de mim, a cada dia que passa, a cada letra que escrevo, a vida que eu tinha vai-se desvanecendo devagar. Vou ao poucos perdendo aqueles que eram importantes para mim, também porque nada faço para que fiquem a meu lado. Apenas discuto e não controlo a raiva que tenho de tudo e de todos, que tu tão bem sabias domar, com a doce voz e o olhar candido de quem me amava... como custa dizer que me amaste... que esse sentimento há muito de abandonou. O meu coração é ainda teu, temo que será para sempre, não o sinto bater desde que foste e penso que talvez te tenha mesmo entregue esse pedaço de mim. Sei-o agora, sonhei contigo, assim como o amor que sentiria por ti, que sinto. Não deites também esse pedaço de mim fora, espera que eu um dia tenha forças para o pedir de volta. Se esse dia não chegar, se eu perecer antes de conseguir olhar para ti sem te amar, guarda-o com aquela fotografia que eu tanto gostava, aquela que tiraste na porta da sala, com os cabelos compridos e a camisa preta, e na caixa escreve:

"aqui jaz o ultimo pedaço de quem me amará para toda a eternidade"

attack!! attack!!



e se o diabo
de mim se aproximar
de bem alto lhe digo
baza lá ó belzebu
já sofri demais
não me venhas também tu!

Novembro 27, 2005

Novembro 21, 2005

sorrisos

não acredites se me vires sorrir,
eles são apenas mentiras,
de todo o meu ser.

A única verdade em mim,
é a tristeza,
de não te ter.

Novembro 13, 2005

pensamentos

pouco há mais bonito que o corpo de uma mulher. O toque da sua pele, o suave som da sua voz que se deixa levar pelos prazeres da lascivia que toma conta dos corpos e nos leva a querer um pouco mais a cada segundo. Ser um, ser em si mesmo e no outro. Mulher alguma é mais bonita que tu.

Novembro 10, 2005

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Ich liebe dich
Ich liebe dich nicht
Ich liebe dich nicht mehr
Ich liebe dich nicht mehr oder weniger als du
Als du mich geliebt hast
Als du mich noch geliebt hast

Die schönen Mädchen sind nicht schön
Die warmen Hände sind so kalt
Alle Uhren bleiben stehen
Lachen ist nicht mehr gesund und bald

Such ich dich hinter dem Licht
Wo bist du
So allein will ich nicht sein
Wo bist du

Die schönen Mädchen sind nicht schön
Die warmen Hände sind so kalt
Alle Uhren bleiben stehen
Lachen ist nicht mehr gesund, und bald

Ich suche dich hinter dem Licht
Wo bist du
So allein will ich nicht sein
Wo bist du
Ich such dich unter jedem Stein
Wo bist du
Ich schlaf mit einem Messer ein

Wo bist du

Rammstein - Wo Bist Du

Novembro 03, 2005

me... today...


was there a yesterday?

How can happiness feel so wrong?
How can misery feel so sweet?

Novembro 01, 2005

mais um

é... mais um... este nem por isso melhor... recebi contudo uma prenda curiosa :) uma foto minha foi publicada num artigo.

Fica aqui o link
http://www.familylifeabroad.com/Addiction.html

passem o rato por cima da imagem =)

mais um ano

There are nine million bicycles in Beijing
That's a fact
It's a thing we can't deny
Like the fact that I will love you till I die

We are twelve billion light years from the edge
That's a guess
No-one can ever say it's true
But I know that I will always be with you

I'm warmed by the fire of your love everyday
So don't call me a liar
Just believe everything that I say

There are six billion people in the world
More or less
And it makes me feel quite small
But you're the one I love the most of all

We're high on the wire
With the world in our sight
And I'll never tire
Of the love that you give me every night

There are nine million bicycles in Beijing
That's a fact
It's a thing we can't deny
Like the fact that I will love you till I die

And there are nine million bicycles in Beijing
And you know that I will love you till I die

Outubro 27, 2005

fire...

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I am the god of hell fire, and I bring you

Fire, I'll take you to burn
Fire, I'll take you to learn
I'll see you burn

You fought hard and you saved and earned
But all of it's going to burn
And your mind, your tiny mind
You know you've really been so blind
Now 's your time, burn your mind
You're falling far too far behind
Oh no, oh no, oh no, you're gonna burn

Fire, to destroy all you've done
Fire, to end all you've become
I'll feel you burn

You've been living like a little girl
In the middle of your little world
And your mind, your tiny mind
You know you've really been so blind
Now 's your time, burn your mind
You're falling far too far behind
OOhhh
Fire, I'll take you to burn
Fire, I'll take you to learn
You're gonna burn, you're gonna burn
You're gonna burn, burn, burn, burn, burn, burn, burn, burn, burn, burn, burn

Fire, I'll take you to burn
Fire, I'll take you to learn
Fire, I'll take you to bed

Arthur Bronw - Fire

Outubro 25, 2005

assim...

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é... sinto-me assim... preso entre nuvens que teimam em não passar.

Outubro 21, 2005

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sou apenas mais um, um daqueles por quem vocês passam e não sentem vontade de olhar uma segunda vez. Sempre me senti assim, não sei porque agora me custa tanto a sê-lo de novo... mas é aqui que reside a questão... no "de novo"... sim, porque eu já me senti a pessoa mais interessante do mundo, capaz de tudo... foi ela, que me fez sentir assim... a seu lado tudo era simples e descomplicado, a vida parecia ser algo que se podia de facto viver e não apenas sobreviver pelos cantos.

Tudo era irrelevante, todas as opiniões, como que colocado num alto local, protegido de quedas e pedras por aquela presença divinal... pelo seu sorriso imenso e os olhos... que olhos faiscantes e lindos que me levavam a sentir a pessoa mais sortuda de entre todas as pessoas...

sinto-me vazio de novo, os sorrisos que se seguiram deixam-me a cada beijo cada vez menos capaz de me sentir na minha vida. Queria sentar-me num qualquer local e vê-la passar, até chegar ao seu fim e eu, feliz, ali sentado cairia com um sorriso nos lábios.

Nem sei se sinto falta dela ou de quem dei o último beijo... tudo se torna confuso e complicado de perceber. Apetece-me gritar, partir coisas, enfurecer-me... mas não consigo... não quando penso nela... a simples ideia da sua existência deixa em mim uma alegria capaz de acalmar o mais negro de todos os meus demónios... a vontade de chorar volta... mas as lágrimas não correm... por vezes nem sei se o que vivi foi um sonho, de tão bom que foi, de tão forte que o senti...

dói, falar assim, no passado. Queria-o presente... e hoje, hoje é para todos só mais um dia... será que ela olha para o calendário e pensa este dia? Eu, continuo a esperá-lo, mesmo não querendo, todos os meses...

Tenho medo de a ver... tanto que me sinto a desfalecer só de pensar nisso... seria talvez a pior coisa que me podia acontecer... vê-la e não a "ter"... isso pode acontecer um qualquer dia destes... sei que vou fugir... sei que não vou conseguir olhar para ela e ficar indiferente... sei que ela não me vai beijar, não me vai abraçar como eu gostava.

Ela é feliz, isso devia bastar-me, de tanto a amar devia querer apenas o que fosse bom para ela, ao que parece nunca fui... porquê quere-la de volta? Como se fosse tudo assim tão linear, como a troca de uma lâmpada, troca para aqui, volta para além...

Sinto-me a pessoa mais feia do mundo, mesmo assim há coisas que me fazem sorrir. Uma das pessoas mais importantes para mim disse-me ontem "senti ciumes de tu e...", fiquei tão contente. Significa que ele está assim, a sentir... foi tão bonito vê-lo assim.

Pedi tantas vezes que me concedessem um desejo, para que eu pudesse pedir mais um dia com ela... ontem mudei essa vontade... quero um desejo sim, para pedir que todos aqueles que são importantes para mim não sofram mais, sejam felizes a partir desse instante, numa alegria constante e nirvana emocional. Talvez dois desejos, o segundo para me apagar das suas memórias e me permitir esfumar no ar, qual cinza da casca de uma castanha, que sacudimos pois o que queremos é o interior delicioso daquele fruto assado.

Agora sim, as lágrimas correm, quando penso em perdê-los, porque eu é que ia perder se num qualquer acaso a minha existência terminasse. Não me sinto minimamente relevante para sequer considerar que ia fazer verter uma lágrima... ontem pensei nisso, como seria que ela iria reagir se num qualquer acaso eu morresse e lhe dissessem, como seria que ela se ia sentir nesse momento, sabendo que eu não me tinha suicidado num qualquer ataque de desespero mas sim num acidente de carro ou de uma qualquer forma não voluntária, será que ia chorar? Ia ficar apenas triste? Ou será que ia fazer como quando me deixou...

Estou cansado de me dizerem "tens que ser feliz", "tens que seguir o teu caminho", "cuida de ti"... toda a noção de felicidade me soa a camisa de forças... me soa a prisão da vontade de ser dela de novo...

Outubro 20, 2005

"nao consigo dormir"

as portas fecham-se quando tento entrar por elas... as portas de mim mesmo negam-me a entrada no meu ser, no meu eu que não se encontra, que dificulta a saida da magoa e evita a entrada dos sorrisos que teimam em me querer.

Outubro 10, 2005

nights

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a chave custa sempre a entrar... parece que a porta não o quer ali, à sua frente. Um passo em frente e o mundo desaba, é sempre assim, o entrar naquela casa que outrora lhe trouxe sorrisos e a sempre presente vontade de lá regressar, à companhia daquela que fora o seu único amor. Descalça os sapatos no hall de entrada e ali os deixa, para amanhã voltar a calçar, numa rotina que atinge por vezes o excesso de letargia. Volta-se e dirige-se à cozinha, talvez procurar algo que possa comer. Frigorifico vazio, os pequenos imans de todas as viagens que fizeram traz-lhe de novo uma lágrima à face, volta a abrir a porta cinza e retira do seu interior uma garrafa... a sua única companheira nos últimos dias. Tinha-se cansado dos encontros esporádicos, das famosas one night stand, das conquistas efémeras e de se sentir a cada dia nesse modo de vida cada vez mais vazio e frio em si mesmo. O sofá espera-o, para mais uma noite de filmes independentes e o ardor do líquido a passar pela garganta, queimando a ferida no interior do seu peito.

Setembro 28, 2005

sentir

close your eyes
let me touch you now
let me give you something that is real
close the door
leave your fears behind
let me give you what you're giving me
you are the only thing
that makes me want to live at all
when i am with you
there's no reason to pretend
that when i am with you i feel flames again
just put me inside you
i would never ever leave
just put me inside you
i would never ever leave
you

quero sentir de novo, voar como sei que sou capaz. quero conseguir baixar esta barreira que me gela o coração. Mas não sou eu que tenho de querer... alguem que me roube um pensamento...

from us

you're made of my rib,oh baby
you're made of my sin
and i cant tell where your lust ends and where your love begins
i didn't want to hurt you baby
i didn't want to hurt you
i didn't want to hurt you but you're pretty when you cry
and the moon gives me permission and i enter through her eyes
she's losing her virginity and all her will to compromise
i didn't want to hurt you baby
i didn't want to hurt you
i didn't want to hurt you but you're pretty when you cry
i didn't want to fuck you baby
i didn't want to fuck you
i didn't want to fuck you but you're pretty when you're mine
i didn't really love you baby
i didn't really love you
i didn't really love you but i'm pretty when i lie
you hurt me baby
i hurt you baby
if you knew how much i love you, you would run away
but when i treat you bad it always makes you want to stay
i didn't want to hurt you baby
i didn't want to hurt you baby
how can you do this to me now?


VAST - Pretty When You Cry

Setembro 27, 2005

porque amar não chega

here comes the rain again
falling from the stars
drenched in my pain again
becoming who we are

as my memory rests
but never forgets what I lost
wake me up when september ends

when september ends

"...mais do que ganhar sozinho é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos..."

talvez, em determinada altura, não devesse ter deixado de caminhar... são tantos os se's e os talves que já nem sei se o que fui é real...

Setembro 18, 2005

me?

You scored as Dirty, Black, Free. Your face is Dirty, face stained from tears. You are free. You aren't afraid. You can cry and scream and yell. People care - People worry. You are free. Lucky. Free. You don't care what people think and you aren't afraid to do what you like if it makes you feel good.

Dirty, Black, Free

100%

Confused.

83%

In Control.

67%

Cold as Steel

50%

Believer.

50%

Trapped.

17%

What does your soul say about your eyes?
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Setembro 08, 2005

leather

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mais um dia, aquela sensação de nada feito, de nulidade atingida pela ausência de vontade. Lúcio sai do café, onde habitualmente bebe sempre qualquer coisa que lhe permita voltar à solidão de sua casa, sempre na companhia do seu amigo, que dia após dia lhe tenta mostrar o quão bonito é viver.
Adora aquele café, sempre gostou do estilo melancólico e obscuro da decoração mas desde há duas semanas não consegue evitar a ansia de se sentar e poder olhar para aquela empregada de longos cabelos negros e olhos de gata. Desde o primeiro dia que a viu ficou enfeitiçado sob o poder daquela mulher que se passeia como uma nuvem de sensualidade por entre as mesas. Trocam olhares, a vontade dela, que ele lhe dirija a palavra. A dele, que ela lhe deixe um guardanapo com o número de telefone ou uma morada.

Setembro 03, 2005

you are my million dollar baby

"If you do this, you'll be lost. Somewhere so deep...you'll never find yourself again."

alguém me devia ter avisado... antes eu me ter dado a ti por completo.

Só consigo sorrir ao pensar isto... faria tudo de novo, mesmo sabendo que no fim, deixaria de Ser.

Um dia falámos do que a loucura do nosso amor nos poderia levar a fazer pelo outro, hoje o teu cheiro tomou conta de mim e eu sinto-me assim, teu :,)

agora seria uma boa altura para adormecer num sono eterno, agora que o teu cheiro está aqui e eu estou feliz.

Setembro 01, 2005

baby steps towards madness

Ainda hoje passeio e te vejo por entre a multidão. Não sei que fazer para além de quase me resignar que tu és Aquela, resigno-me a cada dia que passa e eu, continuo a achar-te bonita quando acordavas, com o teu ar ensonado de princesa esperando um abraço e um carinho matinal. Ainda não te esqueci... os bonitos olhos que sorriam, o tom da tua voz, os cabelos que escorregavam pela minha mão esperando um agarrar forte.

O dançar que fluia de nós dois e fazia os outros sentir inveja, quererem estar no nosso lugar.

Foste, já não voltas, não sei. Sei que te sinto a falta, ainda, todos os dias.

Hoje, danço. Mas não é o mesmo dançar, é apenas um vaguear por entre o tom das notas e deixar-me ir numa vontade de sermos os dois a cantar.

Ainda me lembro da primeira que dancei para ti, envergonhado de me mostrar, pensando que ias achar completamente idiota.

Ainda, sempre ainda, amanhã será um hoje.

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Agosto 27, 2005

momentos

por vezes perco-me de mim mesmo, sou e não sou, como no anúncio. vagueio pelas palavras, pelas músicas melancólicas que teimam em querer ser minhas, mas nunca sou nada realmente, nunca tenho nada, o único pensamento na minha mente é ela, o sorriso, o calor do olhar. Saudades, sim... muitas, do tempo em que eramos os dois assim, um sorriso.
e se me encontrares num ou noutro caminho, diz-me olá. Certamente irei sozinho...
"A alma reside onde ama e não onde anima"

in Citador

Agosto 15, 2005

fados... de Coimbra.

O Sol anda lá no céu
Tão pertinho atrás da Lua
Também trago a minha alma
De castigo atrás da tua

Eu fui lavar ao Mondego
As penas da minhas mágoas
Minhas mágoas eram negras
Negras ficaram as águas

Oh estrelinha do Norte
Espera por mim que já vou
Ensina-me o caminho
Já que o luar me enganou.

Agosto 08, 2005

remembering

"É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade."


"Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!"

será?...

de zero a dez, vinte e um...

Agosto 01, 2005

hoje e ontem, um ainda semi eterno

não te esqueço, cada passo que dou se torna mais um para te recordar. Como que se todo o ar que respiro fosse um pouco da tua essência, do teu olhar amendoado que me tomava num embalo e me fazia sentir, só assim, sentir.
Tenho saudades de ti, da tua pele, dos teus pés que eu tanto gostava de beijar e de sentir em mim, das tuas pernas que dizias feias e eu via nelas a perfeição. Continuo hoje a não precisar de fechar os olhos para te reconhecer nas memórias, continuo ainda hoje a saber-te. Ainda sei ao que sabe o teu toque. Tenho saudades desses cabelos ondulados, bonitos como só uns cabelos teus podem ser, suaves e soltos, da minha mão a passar entre eles enquanto partiamos para mais um momento de amor, eterno dizias-me tu. Sinto a falta da tua voz que me acalmava para além da compreensão, que me levava ao sorriso mesmo quando as lágrimas insistiam em querer sair.

A cada corpo que passa pelo meu, mais falta sinto do teu. A cada boca que pede a minha sinto vontade de sentir o sabor que a tua tinha. A cada momento em que num acaso ternurento me perco em sonhos de uma realidade nossa, navego por sorrisos e sinto-me de novo sem mossa, sou sem medos menino pequeno de mão dada com a sua pequenina princesa de olhos grandes, sorridentes e que solta entre dentes, patinho!! patinho!! patinho!! num frenético sentir, num fluir do ser, que se consegue ter quando temos alguém que nos leva ao que somos em nós.

bonita menina pequenina, de cabelos ondulantes, em meus sonhos és ainda minha e eu sou teu. Realidade esta onde ao invés de teu, fui quem te perdeu.

Julho 26, 2005

e se...

e se alguém,
agora Teu
perguntar quem Te perdeu,
o meu coração chora em palavras,
fui eu.

Julho 13, 2005

no one else... ever...

"Se me esfolassem agora
encontrariam o teu nome
colado num dos meus ossos.

De mim, continuariam a nada entender.
Quanto a eu, sei que sou teu."

- Manuel Cintra

Julho 05, 2005

i had a dream...

"And even in our sleep pain that cannot forget, falls drop by drop upon the heart, and in our own despite, against our will, comes wisdom to us by the awful grace of God."

Ésquilo

Junho 23, 2005

luxúria

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bebo do sangue de anjos, que tentam acalmar o vazio que me consome por dentro. Sou canibal em terra de vegetarianos, deleito-me de corpos e suores, gemidos e cabelos que flutuam com o vagar do meu corpo. Tempo sem fim em luxúria sem pudores, pele contra pele, dedos que se tocam e deixam tocar, lingua que se delicia com o sabor a pecado, todos os sentidos fechados num prazer que se expõe perante mim. Olhos que procuram o seu par por entre a luz que emana das centenas de velas, acesas pelo calor da paixão, culminar de um sol que se quer continuado pela noite dentro, em formas e vontades lascivas, masoquismos...

Junho 22, 2005

soube a muito durante tão pouco...

...estava sentado quando o telemóvel toca, levanto-me e vejo que recebi uma mensagem do meu amigo David, não sendo isso normal fico curioso e ao mesmo tempo com um certo receio...- Que será que se passa? - não podia ser melhor... ou talvez pudesse, tendo em conta muito do que senti hoje... mas tirando isso, a notícia caiu no momento certo dentro do meu saco, tinha finalmente feito uma cadeira chata que se arrastava atrás de mim... Análise Matemática 1... soube tão bem, por momentos saltei, ri, cantei, soltei gargalhadas de alegria, por momentos que terminaram tão repentinamente como surgiram... e voltou o choro, a vontade de cair e não mais me levantar... onde estava o abraço dela, o riso contagiante e único, os olhos de amêndoa, a voz doce e o seu cheiro?... onde estava tudo o resto que eu precisava para que este momento fosse realmente bom?...

apetece-me chorar quando devia rir.

about me...

sou... serei...fizeram-me sentir assim...

vil
reles
ordinário
miserável
mesquinho
infame
degradante
desprezível
torpe
vergonhoso
impudico
nojento
repugnante
ignóbil
disforme
indigno
odioso
incapaz
inutil
lastimoso
indigente
devasso
baixo

odeio-a... mas amo-a ainda mais...muito mais...

Junho 19, 2005

my hand taken by thy axe

por vós fui mercador de veneza
sempre presente nunca suficiente
por vós empenhei minha alma
qual doce tortura que me acalma
por vós deixei amigos e vontades
chorei marés e felicidades
por vós deixei de ser
por tudo o que não mais voltarei a ter.

Junho 15, 2005

just another day...

The Boy Done Wrong Again

Belle And Sebastian

The boy done wrong again
Hang your head in shame and cry your life away
The boy done wrong again
Hang your head in shame and cry your life away
Are you ok now?
Are you ok now?
On Saturday I was an angel shining fair
You shone louder, longer
You put my shine to shame
Put me to shame now
Put me to shame

What is it I must do to pay for all my crimes?
What is it I must do?
I would do it all the time

All I wanted was to sing the saddest songs
If somebody sings along I will be happy now

The woodland spring will put the darkness from your thinking
If this town's your sinking ship
Then you know where to jump

Talking dirty, for a hobby it's fine
So pour another glass of wine
I'll think of England this time

All I wanted was to sing the saddest songs
If somebody sings along I will be happy now

Junho 14, 2005

not again...

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tenho medo, tanto que quase o consigo ver sentado a meu lado, com a sua mão sobre os meus ombros impedindo-me de levantar. Qual estátua que guarda a entrada de um castelo, este cavaleiro de névoa impede que as minhas muralhas sejam de novo quebradas.

six feet under

hoje foi um dia como tantos os outros, só, triste e com medo, navego por entre um rio que se quer mar, ao sabor das suas vagas que nem sempre são as minhas. Deito-me na cama, indolente, passo entre canais como que esperando algo a que me agarrar, algo que me leve durante horas para longe de um mundo onde apenas me senti bem há uns anos atrás, paro na 2:, como sempre, começa uma das suas, e minhas, séries favoritas, Sete Palmos de Terra, mal sabia eu que o episódio de hoje me traria para além da memória dela, sempre constante, tantas outras de momentos, dos momentos que me marcaram a ferro e dor.
O medo que tenho de sentir novamente a dor de perder é evidenciado, é mostrado em tons de normalidade. Tremo... Vi espelhado na cara de um actor, o que eu senti, quando pela primeira vez me foi dito que tinha acontecido o que não devia, quando eu senti que tudo se desmoronava, vi isso, senti que talvez eu não fosse o único a sofrer daquela forma. Se alguém consegue representar tal situação, decerto eu não sou o único que tombou ao seu passar.

Tristes os homens que Amam... pois Amam apenas uma vez.

Junho 12, 2005

"posso comê-lo?"

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a minha vida está qual novelo de fios cortados... toda enrolada numa desmedida confusão e repleta de pontas...

quero deixar de viver assim... quero ter força para lutar... mas sempre que tento agarrar um fio e segui-lo até fora deste emaranhado de vidas que é a minha, os outros prendem-me, puxam-me para dentro de mim mesmo, para junto do buraco que ficou quando ela partiu.

Por vezes sou de novo eu, aquele por quem ela se apaixonou, por quem o corpo dela tremia só de pensar. Aquele que a fazia vibrar por dentro e sorrir por fora só com o olhar. Continuo a procurar aquele sorriso em todos os lábios que tocam os meus, a suavidade da sua pele em todos os corpos que tocam o meu. Continuo a procurar a dança que era amar em tons de paixão, entre nós dois.

Por vezes sou de novo esse, aquele que se perdeu no meio de tanto querer e no medo de perder. Sou novamente quem não teme, quem quer e conquista, quem olha sem limites e não mede distâncias, não tem medo de linhas imprevistas ou olhares que soltam faíscas.
É nestas alturas que volto a cair, entro no ciclo de quem saudoso chora pela hora em que deixou de ser para passar a ter, quem parecia tirada do seu sonho de infância, qual desenho a carvão no quadro dos seus desejos.

Olham-me, querem-me, dizem-me Deus, dizem-me inacessível. Chamam-me, pedem-me, são tantos fios, são tão poucos pavios.

Sou apenas eu.

Maio 26, 2005

dark september

não passo de mais um, que passou e passa por estas ruas, pelas vidas das pessoas, d'A pessoa, sem marcar, sem deixar, sem poder, sem conseguir tocar... sou mais um entre tantos outros, que dança, escreve e sorri, mas não consegue, não fez, não teve capacidade de cativar A pessoa. Amei uma vez, com tanta força que pensei que a qualquer momento ia rebentar, ia ficar com a face deformada de tanto sorrir, o coração ia dilatar de tanto bater, o corpo ia cair de tanto tremer e amei, amei tanto que não conseguia acreditar que me amavam assim, naquela intensidade, naquela força, como que sempre nas pontas dos pés, tão lindos e perfeitos. Fizeram-me acreditar que sim e aí pensei que talvez podesse sentar-me um bocado e aproveitar esse sentimento, deixar que a paz que tanto queria e precisava me invadisse e junto com aquele amor me fizessem voar... mal me sentei e ela não estava ali..."por onde andas? será que foste e a culpa foi minha?... eu não volto a sentar-me... prometo...", olhei em volta e vi um anuncio, um cartaz, falava de uma feira, num jardim de arvore altas... entrei à sua procura e ali estava ela, linda como sempre foi e será, nuns braços que não eram os meus. O meu coração partiu-se em mil e cada pedaço em outros tantos... perdi-me no choro, na tristeza e fui o que nunca quis, disse o que nunca pensei, perdi o que nunca tive.

Maio 19, 2005

I am still yours...



por muito que corte,
esfaqueie,
dilacere,
arranque de mim
tudo o que me faz sentir.
O teu toque,
o teu cheiro,
o som da tua voz,
continuam em mim
...

breeding in auto-pilot

sou invadido
dia apos dia
como se um amanha
inexistente
me trouxesse de novo
este vazio
cheio de nada
que me invade
constantemente
e em mim,
fica estagnado.

Maio 16, 2005

the most beautiful smile

O Meu Amor Existe

O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.

Jorge Palma


quero acreditar que mais ninguém conseguiu despertar aquele sorriso imenso, capaz de ofuscar o sol e fazer dançar a lua... o sorriso mais bonito de todos... o teu sorriso prinsuza.

Maio 13, 2005

cansado...



vagueio desamparado...
tudo negro e ofuscante à minha volta... não consigo parar de cair... de me magoar a cada tentativa...
tenho nojo de mim...da minha pele... não me sinto bem debaixo dela... ela sabe-me mal...quero cortá-la, tirá-la da minha carne... desfigurar-me... tirar-me de mim... porque não consigo tirar-te a ti...

Maio 12, 2005

I am not a beast...

sinto-me um animal ferido... que procura o seu refúgio. Hoje gritei de novo, voltei a fazer o que prometi a mim mesmo nunca fazer, nunca mais... não consegui conter a fúria, todos os dias a mesma raiva, o mesmo desespero, a mesma falta de um calmante... tinhas esse poder, o de acalmar a besta que encerro dentro de mim. Apenas um sorriso, um olhar ou o cheiro do teu corpo e todo o meu ser se deixava levitar... lembro-me de momentos em que apenas a ira era o meu fio condutor, em que nenhuma voz ou toque me faziam parar, apenas a tua presença, sentir o teu olhar em mim e toda a braveza e impulsividade se esfumavam sendo trocados por um sorriso, que acompanhava o teu, perfeito.

Maio 07, 2005

tudo de novo

e se me dessem hipótese de voltar, mesmo sabendo que ia sofrer tudo de novo, sem nada poder mudar... eu aceitava, aceitava sem pestanejar, ´so para ver de novo o seu sorriso... aquele sorriso dela... ela que é tudo...quem me merece afinal?...
se eu dei tudo e n chegou...
mas e agora...
que ela me disse amar assim
e eu amei tb...
agora...
ja nao sou capaz de amar assim de novo...
e tudo ficou nela...

Maio 04, 2005

onde o nunca era para sempre

queria ter morrido no instante
em que teus lábios
me amavam

queria ter ficado
no lugar em que nos amamos
presos no corpo e alma
um do outro

queria ter ficado
onde o meu sorriso existia
onde o meu perecer te libertaria
e me pouparia, a tamanho sofrimento.

queria ter ficado onde o nunca era para sempre.

hoje, procuro noutros olhos,
embalo nos meus braços
outros corpos, pego outros cabelos
sonhando os teus.

remembering

Abril 28, 2005

sonhar...



A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo o que era fundo fica perto

Nem sempre o chão da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
É tantas vezes o que resta do calor

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

Trocamos as palavras mais escondidas
Que só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só até amanhecer

Fica tão fácil entregar a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
O olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

Mafalda Veiga - Cumplices

Abril 25, 2005

não há retorno

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade


Grândola Vila Morena - José Afonso

o ínicio de uma nova Era

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós


Paulo de Carvalho - E depois do Adeus

Abril 21, 2005

everything



The girl I love is gone
And I will never find a new
But if one pass me by
I'll still be wondering why
I could not be the one for you

The girl I love is gone
And solitary fills my home
It grieves me so to see
You walking out on me
And leave me standing all alone

Well, it might be foolish of me
There will be other girls that I will meet
But still I'm neither young you see
But that's the guarantee

The girl I love is gone
And things will never be the same
The emptiness inside grows stronger every night
And where are you to ease my pain
The girl I love is gone

For good, for good, for good.

The Girl I Love Is Gone - Jay Jay Johanson

Abril 19, 2005

de chave em punho...



...corro para a porta que te fecha. Esbarro numa mesa,a sala estava às escuras e eu sou daltónico, caio no chãoe perco a chave - Bolas!! Sem lentes vejo tanto como um gato à noite...- encontro a dita e sigo em direcção à luz que vem do teu quarto sem paredes. A chave não entra - Caramba... mas será que eu me enganei a trazer a chave e trouxe a da minha porta? - olho à volta, ninguém olha para mim, o sol não deixa. Dou um passo para o lado e entro no teu quarto, dou-te a chave que trago.


just you...


seria hoje
que um sorriso teu
me daria a força de sete sóis.
seria agora que o teu
"vai correr tudo bem amoie"
me saberia a uma poção de paz.
seria amanhã que o teu
"bom dia prinsuzo"
me faria sorrir e esquecer os medos.

Abril 17, 2005

porque a vida não é certa...

talvez um dia, vindos de caminhos diferentes nos encontremos, olhando para uma velha casa em ruinas, um de cada lado e pensemos em unissono - Que bonita, quero morar aqui, vou recuperá-la. - e entremos por portas diferentes, olhando as paredes e o tecto e quando no centro desta nova casa que é nossa olharmos em frente, os nossos olhos vão de novo encontrar-se, sem passado nem futuro.

Abril 11, 2005

why is this life taking so long... taking so much of me...

"The Professor"

Well I don't know if I'm wrong
Cause she's only just gone
Here's to another relationship
Bombed by excellent breed of gamete disease
I'm sure when I'm older I'll know what that means
Cried when she should and she laughed when she could
Here's to the man with his face in the mud
And an overcast play just taken away
From the lover's in love at the centre of stage yeah
Loving is fine if you have plenty of time
For walking on stilts at the edge of your mind
Loving is good if your dick's made of wood
And the dick left inside only half understood her
What makes her come and what makes her stay?
What make the animal run, run away yeah
What makes him stall, what makes him stand
And what shakes the elephant now
And what makes a man?
I don't know, I don't know, I don't know
No I don't know you any more
No, no, no, no...
I don't know if I'm wrong
'Cause shes only just gone
Why the fuck is this day taking so long
I was a lover of time and once she was mine
I was a lover indeed, I was covered in weed
Cried when she should and she laughed when she could
Well closer to god is the one who's in love
And I walk away cause I can
Too many options may kill a man
Loving is fine if it's not in your mind
But I've fucked it up now, too many times
Loving is good if it's not understood
Yeah, but I'm the professor
And feel that I should know
What makes her come and what makes her stay?
What make the animal run, run away and
What makes him tick apart from him prick
And the lonelier side of the jealousy stick
I don't know, I don't know, I don't know
No I don't know, I don't know, I don't know
No I don't know, I don't know, I don't know
Hell I don't know you any more
No, no, no no...
Well I don't know if I'm wrong
'Cause she's only just gone
Here's to another relationship
Bombed by my excellent breed of gamete disease
I finished it off with some French wine and cheese
La fille danse
Quand elle joue avec moi
Et je pense que je l'aime des fois
Le silence, n'ose pas dis-donc
Quand on est ensemble
Mettre les mots
Sur la petite dodo

Março 24, 2005

"bom dia amor"



vivo nesta árvore que não foi arrancada
cujos ramos me sufocam
num amor cuja raiz foi deixada para trás
vivo na imensidão do que sinto,
do que senti e não perco

as folhas desta àrvore
já não voam na leve brisa
que antes ansiava por lhes tocar
estes braços já não tocam
a sua pele suave ou rodeiam
seus ombros perfeitos
ficam apenas presos nesta raíz
de uma árvore que não foi arrancada
apenas cortada rente ao solo
para que a leve brisa
ao passar, não sentisse
nada que a impedisse de seguir
até uma nova àrvore,
mais bonita e cheirosa.

todos os dias, passo a passo
se torna real
que não volto a amar.


All my life
I've waited for you
Now that you don't want me
I've nothing else to wait for
My dreams had fallen apart.

I'll give my life for just one smile.

Março 21, 2005

four years ago...

...a dream became true.

today... this song is the only one that can reach my soul.

Rodigo Leão - Pásion

you are not the only one... you are the one.

Março 11, 2005

"all is 3D blasfemy..."

Life it seems, will fade away
Drifting further every day
Getting lost within myself
Nothing matters no one else
I have lost the will to live
Simply nothing more to give
There is nothing more for me
Need the end to set me free

Things are not what they used to be
Missing one inside of me
Deathly lost, this can't be real
Cannot stand this hell I feel
Emptiness is filling me
To the point of agony
Growing darkness taking dawn
I was me, but now He's gone

No one but me can save myself, but it's too late
Now I can't think, think why I should even try

Yesterday seems as though it never existed
Death greets me warm, now I will just say good-bye

Metallica - Fade to Black

Março 09, 2005

gatinha com olhos de amêndoa



de cada vez que as suas patas tocam a minha pele, lembro-me do teu sorriso de sempre que viamos um ou quando por mero acaso eles passavam pelo meu colo e se aninhavam no teu, como que sabendo do teu amor por eles. Este meu principe continua a ser metade teu, o seu olhar, o seu carinho por mim e a forma como me trata, a forma como me quer lembram-me de ti, minha gatinha dos olhos de amendoa. Sempre que ele se enrosca na minha mão e me morde levemente, lembro-me de quando deitado contigo no chão ele te mordia de forma frenética a sandália que tanto gostavas, lembro-me do teu pé que tanto adoro e do vestido que tinhas nessa tarde.

Cada dia que passa, cada olhar que se cruza com o meu, mais certeza me dá de que te vou amar para sempre.

Março 02, 2005

my little fairy

mudo tudo o que me rodeia
todas as cores
cadeiras e lençois...
tranco portas e armários
entre caixas e pastas.
pinto olhares, tiro espelhos
dispo paredes e mesas,
de ti.
mas tu não sais...
não te esqueço,
não me limpo por dentro...
fazes parte de todo o meu ser
do meu respirar ao meu sentir.
o meu pensamento ao acordar
a saudade ao deitar
és a fada dos meus sonhos.
a tua voz é a que me encanta
a tua pele a que me seduz
teus olhos lindos como amendoas
são a minha perdição,
não há lábios como os teus
nem toque tão suave.
continuo a caminhar
agora e para sempre
contigo, sem te ter a meu lado,
sozinho.

Fevereiro 27, 2005

just me

amendoeiras em flor

teu sorriso não olvido
passo os momentos de solidão
entre saudades e perguntas.
alturas houve que pensei,
ter esquecido...
teus olhos, teu sentir sem te tocar
mas não passaram de momentos...
em que eu não era eu.
dizem que o amor, aquele verdadeiro
é para sempre, nunca se esquece...
já te devia ter esquecido?
como as flores que nascem na àrvore
para em seguida cair...
amores tantos, que vão e vêm,
o meu por ti... que continua em flor...
sempre e para sempre,
sinto-te...mas já não sei
se o que sinto és tu...

"pensava que já me tinhas esquecido"

It brings a tear,
Into my eyes,
When I begin,
To realize,
I've cried so much,
Since you've been gone,
I guess I'm drowning in my own tears,

I sit and cry,
Just like a child
My pouring tears
Are runnin' wild
If you don't think
You'll be home soon
I guess I'll drown in my own tears

I know it's true
Into each life
Some rain, rain must pour
I'm so blue
Here without you
It keeps raining
More and more

Why don't you
Come on home
Oh yes so I won't
Be all alone
If you don't think
You'll be home soon

I guess I'll
(drown in my own tears)
Ooh, don't let me
(drown in my own tears)
When I'm in trouble, baby
(drown in my own tears)
Oh, yeah, baby don't let me
(drown in my own tears)
I guess I'll drown in my own tears
Oh, mmmmm.

Drown in My Own Tears - Ray Charles



Como se fosse possível esquecer...
o que amei com tanta intensidade,
de coração aberto...
aguentei feridas abertas,
de peito descoberto...

Fui apenas pedra de calçada
que rolou tempo demais...
o buraco que na calçada ficou
depois da minha pedra arrancada
depressa se tapou
com mais bonita e temperada
pedra, apreciada.

e agora o desenho
que com minha pedra se fazia
está destorcido por pedra arredia
mas que interessam sonhos e desejos
quando estamos sempre,
de olhos fechados.

Fevereiro 22, 2005

a love that seems to have no end

THURSDAY - How Long Is The Night
If we run far away do you think we will ever die?
We'll throw these books in the fire
Can you stop the train
Cause it some delay?
The change machine lied
And it's too late to scream

How long is the night?
It's never over
The ribbon was tied
But the card was never read
The ribbon was crimson
The color of the night

Can you see the handwriting on the walls
And on the autumn leaves that call
"What are we gonna do?"
The trees are giving up on us
The needle and the thread
Won't stitch us to the branch
And the night never ends

I will never sleep again
(I will never even close my eyes)

If the sun is on its way
Then we will never die
And we'll follow these tracks to the sight
Now the lungs collapse
And the air is getting thin
All breath expired
Is too late to heal?

How long is the night?

It's all I ever see anymore
But the day was so bright in the pictures
In the photo album that you gave me
It's all I have to live for

I'm falling down
And you're not here to break my fall
I shut my eyes when you're around
I hold my breath to kill the sound of your voice
I'm falling down.
And you're not here to break my fall

Fevereiro 17, 2005

paredes vazias

como eu
paredes de meu quarto
vazias
delas retirados pedaços de vida
amor e esperança
nelas mostrado o vazio
que agora mora em mim
apenas lágrimas por elas correm,
as minhas, que por elas choram
outrora carregadas do mais belo sentir
hoje cheias do mais doloroso sofrer.
paredes minhas que me viram amar
vêm-me hoje apenas,
chorar...

Dois Perdidos

de todas as pessoas que há no mundo
por que justo você?
foi cair na minha frente assim
como um agouro ruim
por que você?
por que você?
entre tantos homens e mulheres
e mulheres homens e homens mulheres
por que você?
será que eu te pedi pra ir embora
você não foi, e agora?
se quando eu te pedi para ficar você ficou.
por que coxas pelos pele seios
cabelos músculos pescoço
por que?
se o mundo é tão imenso e tudo tão distante
todos tão distantes uns dos outros
cada um por si
como é que eu fui cair
de boca aqui?
se tudo fica tão intenso
quando eu penso em você
e eu
vou ter agora e sempre que sofrer
sem nunca poder esquecer
você?
se existem tantos pensamentos possíveis e impossíveis por que só
a sua imagem vem a todo instante me assombrar
assim?
eu quis você sim
mas não assim
eu sei que eu fui a fim, sim,
mas não assim
se o que te impede de sair da minha vida
insiste em te dizer não
e magoar quem te deseja e te quer bem
também não deixa de querer mas nunca vem
pra mim
não quero nada de você
não quero nada de você
só você
de você não quero agora
de você eu quis
você


Arnaldo Antunes

Fevereiro 08, 2005

Espelho Cego

Eu leio o meu destino nos jornais.
Eu vejo os Signos do Domingo nos chifres do Carneiro
e creio
no regaço em que me leva algum planeta
a jogar no firmamento.
Osíres, ou sol da noite, ou estrela da terra
a vida é essa
que se esculpe na alma do poeta,
em ronde bosse,
em corpo inteiro...
e as mãos cegas são só para saber mais devagar.
Minha cintura dorida
adeus supremo sem beijo
enche-me o peito de fome
geme silêncio o desejo.
Espreme-me frutas os braços
bebem-se vinho de março
grandes belos cabelos
com o vento no regaço
Alvorecer de um segredo
boca que a fruta pede
mar de ouro generoso
onde o meu barco se perde.


Salette Tavares

there is no sun for me

The sun is sleeping quietly
Once upon a century
Wistful oceans calm and red
Ardent caresses laid to rest

For my dreams I hold my life
For wishes I behold my night
The truth at the end of time
Losing faith makes a crime

I wish for this night-time
to last for a lifetime
The darkness around me
Shores of a solar sea
Oh how I wish to go down with the sun
Sleeping
Weeping
With you

Sorrow has a human heart
From my god it will depart
I'd sail before a thousand moons
Never finding where to go

Two hundred twenty-two days of light
Will be desired by a night
A moment for the poet's play
Until there's nothing left to say

I wish for this night-time...

I wish for this night-time...

Nightwish - Sleeping Sun

Fevereiro 07, 2005

no use for me...

Running out of ways to run
I can't see, I can't be
Over and over and under my skin
All this attention is DOING ME IN!

FUCK IT ALL! FUCK THIS WORLD!
FUCK EVERYTHING THAT YOU STAND FOR!
DON'T BELONG! DON'T EXIST!
DON'T GIVE A SHIT!
DON'T EVER JUDGE ME!

Picking through the parts exposed
Taking shape, taking shag
Over and over and under my skin
All this momentum is DOING ME IN!

FUCK IT ALL! FUCK THIS WORLD!
FUCK EVERYTHING THAT YOU STAND FOR!
DON'T BELONG! DON'T EXIST!
DON'T GIVE A SHIT!
DON'T EVER JUDGE ME!
and dont you fuckin judge me

You got all my love, livin' in your own hate
Drippin' hole man, hard step, no fate
Show you nuthin', but I ain't holdin' back
Every damn word I say is a sneak attack
When I get my hands on you
Ain't a fucking thing you can do
Get this cuz you're never gonna get me
I am the very disease you pretend to be

I am the push that makes you move.


Slipknot - FUCK YOU ALL!

you

"You trained me not to love
After you taught me what it was"

Janeiro 29, 2005

Stick Boy And Match Girl In Love



Stick Boy liked Match Girl,
He liked her a lot.
He liked her cute figure,
He thought she was hot.



But could a flame ever burn
For a match and a stick ?
It did quite literally;
He burned up pretty quick.

pedaços de nada ao vento

sou restos
sou pedaço de nada
do tudo que fui
do olhar que tive
do negro ser escondido
tudo mostrei, tudo dei
da luz em mim contida
toda ofereci, a beber
sem pensar que também eu
guerreiro invencivel
podia ser derrotado
fui rasgado de alto abaixo
pela espada do amar
fui levado pelo dançar
de um corpo que apenas eu amei
fui levado a pensar
que só eu com ele
soube bailar, rodopiar
pelas paixões de sermos um
duas metades do mesmo ser
sou apenas um pedaço
apenas mais um
no meio de tantas metades
que se encaixam sempre
fui apenas mais uma paixão
no meio de tantas
que parecem cair em turbilhão
de mim nada fica, nem palavra nem imagem
fui guerreiro invencível
hoje pedaço de ninguém
que dança sozinho pela pista
de um caminho traçado para ser a dois.

Janeiro 28, 2005

cansaço

Por trás do espelho quem está
De olhos fixados nos meus?
Alguém que passou por cá
E seguiu ao deus-dará
Deixando os olhos nos meus.

Quem dorme na minha cama,
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama,
E lá de longe me chama
Misturada nos meus sonhos.

Tudo o que faço ou não faço,
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.

Luis de Macedo

Janeiro 21, 2005

quanto tempo é para sempre?

que dia é hoje
um após ontem
dois antes de depois de amanhã
depois, sempre depois
ficaram assim por resolver
o que nos magoava
depois sempre depois
pois eramos sempre os dois
no nosso depois
e agora, não há agora
já não somos dois
e eu não sou teu
nem o que fui outrora
sou restos de uma alma
que se foi embora
sou corpo que se queixa
a cada passo
sou homem que vive no embaraço.

Janeiro 19, 2005

Pastelaria Ferrari

Dizem?
Esquecem.
Não dizem?
Dissessem.

Fazem?
Fatal.
Não fazem?
Igual.

Por quê
Esperar?
Tudo é
Sonhar.

Fernando Pessoa

janelas

não sou mais que uma janela
talhada em três partes divididas
em vinte e um pequenos vidros
feita à medida de uma princesa
que queria uma vista para o mundo.

não fui mais que uma protecção
pedida por quem tinha medo
e não conseguia olhar
para o mundo desconhecido
sem por detrás dela, estar.

não serei mais nada, senão uma janela
sem uso nem precisão
pois a princesa que através dela sorria
os seus vidros partiu,
para fugir da suposta prisão
pela janela imposta
mas o que esta deusa não viu
foi que a janela, esteve sempre
aberta.

escrito a 20 de Novembro de 2004

vida

a vida é o que fazemos dela
passado, presente e futuro
esquecer um destes é perder
o fio do nosso próprio destino.
chamar vida ao passado recente
é matar-nos, pois o que nos fez
está lá atrás.
desconsiderar quem nos amou
apenas porque andamos em frente
esquecer o que connosco passou
é magoar o nosso ser sem sabermos
é perdermos-nos em nuvens de momentos
que não são mais que esquecimentos
de que o que somos nunca deixará de ser.

"conta-me de ti"

que te posso contar
eu sou eu
o que me agrada ou desagrada
muda comigo
e eu,
eu estou sempre em constante mudança.

Janeiro 12, 2005

eu...porque...não sei...sim...eu



porque sou diferente
continuo a sê-lo
independente
de mim ou de outrem
porque procuro a luz
noutra direcções
porque a sei onde procurar
sou eu que a vejo como ela é
sou eu que a gosto dessa cor
procuro o meu sol,
é diferente do dos outros.

Janeiro 06, 2005

little ballet dancer

queria ser pequenino
como aquelas bailarinas
das caixas de música

queria abrir a tua
e pegar-te para dançar
ao som da nossa melodia.

Janeiro 04, 2005

Darts of Pleasure

o corpo é a capa da alma
mero objecto que esconde
o sentimento.

olho corpos
vejo figuras esguias
outras tardias
vejo capas sem sentido
de almas tomadas em comprimido

amar é esquecer que ele existe
corpo desnecessário
amar é ter o calor da alma
a querer rasgar a carapaça que a prende

chamam-me louco
por derramar lágrimas
pela perfeição que não existe

pois eu grito
eu sei, quase a toquei
a minha alma rasgou minha carne
pois encontrou igual.

o corpo é efémero
o amor eterno
quando o sentimento
não cabe no peito.

Janeiro 01, 2005

é estranho sorrir, quando as lágrimas correm pela face

eu sou o negro sentir
sou a tristeza de existir
não sei ser

tive em tempos, a doce
magia de ser amado
fui outrora azul como o céu
grande como o mar

serei a nulidade imensa de solidão.

ano novo, vida nula

passo em frente
esperando encontrar chão
as forças faltam
as lágrimas caem e puxam-me com elas
o precipicio abre-se,
caio
leve como uma pena
sou oco, vazio de ser
as lágrimas caem antes de mim
e chocam com o duro
da solidão
vou batendo entre as rudes
paredes da dor
mergulho no rio de água salgada
dos meus choros
a face arde com o salgado
sentir da realidade.

Dezembro 29, 2004

"fode-me, não me perguntes, fode-me apenas"

vem, ama-me
não me perguntes nada
não queiras saber
que eu não te digo
deseja-me, pelo prazer
que te dou,
pelo prazer que me dás,
não perguntes, que não to digo
voa, sozinha, em mim
não me sintas, possui-me.
toma-me como algo
impossível de ter,
arde teu fogo em mim
como incêndio deflagrado
por entre as folhas secas
do chão pelo qual rebolamos
entre dor e paixão.
quero ouvir-te, sem medos
quero sentir o meu corpo
gemer com o teu,
culminar o ter com o ser.
no fim, pergunta-me,
talvez eu to diga.

Dezembro 22, 2004

...eu?...apenas...eu...

sabes onde me encontrar
porque não me procuras?
sou eu, sem receios
não entremos em rodeios

tenho saudades, vontades
da tua voz acompanhada
de tão belo sorriso
tantas vezes sentido

quero olhar pincéis e telas,
pasteis, aguarelas...
ser modelo a pintar
ser corpo a, de novo, desvendar

dizem-me especial, eu digo-me sozinho

Ficou vazio o teu lugar à mesa


Ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nos
que não regressarias, que ninguém regressa de tão longe.
E, desde então, as nossas feridas têm a espessura
do teu silêncio, as visitas são desejadas apenas
a outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapete
continua engelhado, como à tua ida.
Provavelmente fiará assim para sempre.

No outro Natal, quando a casa se encheu por causa
das crianças e um de nós ocupou a cabeceira,
não cheguei a saber
se era para tornar a festa menos dolorosa,
se para voltar a sentir o quente do teu colo.

Maria do Rosário Pedreira

Dezembro 21, 2004

os outros e depois, eu e tu

tantos outros
que passeiam
pelas mesmas ruas que eu
dobram as mesmas esquinas

esses, esses são feitos
de ouro e brilhantinas,
uns de ferro forjado.
eu, eu sou como tu.

palavras de dois gumes

tanto que disse
gritei impropérios
dores sentidas
chorei palavras
amargas de solidão

chorei meu coração
em voz de desgosto
usei palavras de dois gumes
para cortar esta dor
porque o amar não é posto.

não quero ser dos outros
quero ser de mim
acordar, sentir, ao invés
de apenas me deixar ir.

um toque no real

Saio de casa, dou um pontapé numa pedra que sem culpa nem rumo se deixa rolar pela calçada, levanto os olhos ao dia que se deixa amanhecer suavemente por entre os edifícios velhos e sorrio. Que paradoxo delicioso.

Ando dois quarteirões, atravesso a rua e, sem notar as crianças que brincam ao meu lado, estagno junto ao pequenito jardim que todos os dias me saúda com um bom dia cheio de orvalho.
É ali que te vejo. Todos os dias te vejo. Estás sentada, cabelos negros e escorridos a repousar em cima dos ombros, duas azeitonas a fazer de olhos e dois pedaços de vermelho carnudo a fingirem-se lábios.

Hoje, como todos os dias, como todos os momentos, como todas as sensações, hoje é como sempre. Olho-te, flutuo-te e o jardim dissolve-se nas casas, e as casas numa tela desfocada, e do céu chovem panos negros que esquecem tudo excepto o tu e o eu e o nós que tem por força que acontecer.

Agora já não há nada. Já não estás a ler um livro, por baixo de ti já não há um banco, nem o teu cabelo se salpica dos pedacitos de flor que pingam das árvores. Mas tu não sabes isso e então continuas na tua posição de sentada - suspensa no ar - com as mãos viradas para cima e a olhares atentamente o teu colo. O desejo... o infinito desejo de te tocar. Ajoelho-me a teu lado. Claro que não me vês e continuas a ler o livro que não existe sentada num banco que já não é.

Como és bonita... o negro dos cabelos a pintar o branco da face, o olhar imenso que deixas deslizar pelo livro que não estás a ler, o nariz ligeiramente arrebitado, os lábios que continuas a humedecer com esse pedaço de morango a que chamas língua, a forma como pendes a cabeça para a esquerda, como um sino empenado, o traço do teu queixo à orelha, o pescoço limpo e suave e incrivelmente beijável... oh pudesse eu atravessar-te com o beijar; deslizar a minha mão da tua testa ao teu ombro, segurar-te com força e fazer-nos voar...

Noto-me, como hoje, como ontem e como sempre, com um sorriso estúpido de deleite, parado à boca do jardim, com crianças a brincar à minha volta. Uma delas chega perto de mim, dá-me um pontapé e eu, sem culpa nem rumo, deixo-me rolar pela calçada.

Filipe Goulão

Dezembro 20, 2004

this is my hand, this hand is yours



foi esta a mão
que sentiu a perfeição,
jaz agora aqui a recordação,
desta mão.

angústia de não ser

ser ou nao ser......eis a questao
tu és?
eu nao
nao és?..............serei eu?
sejam eles ou sejamos nós
ou até mesmo os nossos avós
no respeito se vive a sós......
em conjunto de ideais
tais que......
sejam eles ou sejamos nós
o certo,incerto nao se sabe ao certo
o que importa mesmo
é sermos simplesmente seres
com ideais ou a sós
nas ideias que nos gerem
sugerem,felicidade e harmonia
neste ser ou nao ser
simplesmente seres.

Maria João Silva

espelho by others

X

Eu faço versos como os saltimbancos
Desconjuntam os ossos doloridos.
A entrada é livre para os conhecidos...
Sentai, Amadas, nos primeiros bancos!

Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos...
Olhai o coração que entre gemidos
Giro na ponta dos meus dedos brancos!

"Meu Deus! Mas tu não tu não mudas o programa!"
Protesta a clara voz das Bem-Amadas.
"Que tédio!" o coro dos Amigos clama.

"Mas que vos dar de novo e de imprevisto?"
Digo... e retorço as pobres mãos cansadas:
"Eu sei chorar... eu sei sofrer... Só isto!"

Mário Quintana
in A Rua dos Cataventos

moralidade... só da porta para fora.

e sou mescla
de bem e de mal
sou anjo azul
demónio vermelho
azul como a confiança
que quem é de bem
em mim vê
vermelho como a lúxuria
que só quem como eu é
sabe de mim.
quero princesa
que me saiba ver
para além do azul
que me queira ter
entre paredes
de quentes pintadas
entre panos de paixão tingidos
quero Mulher a quem possa olhar
a alma, por entre seus olhos.
e seu eu sou
bandido social,
quero quem comigo saiba sorrir
quero voltar a sentir,
ser modelo a desenhar,
deitado entre lençois
de uma cama onde possa apenas estar
se uma outra pele com a minha
se misturar,
desenhado sem regras.

desesperos...

que rainha levei eu
em meu colo
a custo de meu corpo.
a troco de minha alma
de que rainha fui eu servo
que rainha foi esta
que sem desagravo me abandonou,
sem pensamento me desconsiderou...
foi rainha
e eu servo
que de servo nunca passou.

Dezembro 19, 2004

um poema ao som de carlos paredes

vi-te estrela
encontrei-te a meus pés

eras estrela do mar
com cinco pontas de sal
não tinhas cor azul
o azul do céu ou do verde mar

sem luz,
frágil e fria,
branca cinza
peguei-te da maneira mais meiga
e próxima de mim chamei-te paixão

o sol escaldava
sufocava ao respirar
escutava o mar e o vento
transparente naquele calor ardente

perdi-me no tempo,
no silêncio entre mim,
a estrela e o mar

devagar a escuridão desceu inquieta
era tempo de voltar
de disfarçar calada
dores distorcidas

abracei-te de novo com meiguice
e chamei-te paixão

o ar ficou mais doce
fez-me sorrir de alegria
era urgente descobrir loucuras de emoção

em silêncio sobre ela adormeci


estrela do mar, L. Maltez

também eu, português

Era uma vez
um português
de Portugal.
O nome Luís
há-de
bastar
toda a nação
ouviu falar.
Estala a guerra
e Portugal
chama
Luís
para embarcar.
Na guerra andou
a guerrear
e perde um olho
por
Portugal.
Livre da morte
pôs-se a contar
o que sabia
de Portugal.
Dias
e dias
grande pensar
juntou Luís
a recordar.
Ficou um livro
ao
terminar.
muito importante
para estudar:
Ia num barco
ia no mar
e
a tormenta
vá d'estalar.
Mais do que a vida
há-de guardar
o
barco a pique
Luís a nadar.
Fora da água
um braço no ar
na mão o livro
há-de salvar.
Nada que nada
sempre
a nadar
livro perdido
no alto mar.
Mar ignorante
que queres roubar?
a
minha vida
ou este cantar?
A vida é minha
ta posso dar
mas este
livro
há-de ficar.
Estas palavras
hão-de durar
por minha
vida
quero jurar.
Tira-me as forças
podes matar
a minha alma
sabe
voar.
Sou português
de Portugal
depois de morto
não vou
mudar.
Sou português
de Portugal
acaba a vida
e sigo igual.
Meu
corpo é Terra
de Portugal
e morto é ilha
no alto mar.

portugueses
a navegar
por sobre as ondas
me hão-de achar.
A vida
morta
aqui a boiar
mas não o livro
se há-de molhar.
Estas
palavras
vão alegrar
a minha gente
de um só pensar.
À
nossa terra
irão parar
lá toda a gente
há-de gostar.

uma coisa
vão olvidar
o seu autor
aqui a nadar.
É fado
nosso
é nacional
não há portugueses
há Portugal.
Saudades
tenho
mil e sem par
saudade é vida
sem se lograr.
A minha vida
vai acabar
mas estes versos
hão-de gravar.
O livro é este
é este o canto
assim se pensa
em Portugal.
Depois de pronto
faltava dar
a minha vida
para o salvar.


Luís, O Poeta salava a nado o Poema, Almada Negreiros

também eu, português
lutei e nadei,
em mar bravio.
não salvei poema,
nem minha alma perdi
pois sei a quem a dei,
princesa por quem morri.
de bom grado repetia
salto para a morte,
do barco seguro
para o mar incerto,
a dor que choro hoje
foi o que de melhor tive.

Dezembro 16, 2004

e se esta não foi apenas mais uma mentira?

Medo

Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.

Amália Rodrigues

Saudades trago comigo


Saudades trago comigo
Do teu corpo e nada mais
Pois a lei por que me sigo
Não tem pecados mortais

Talvez tu queiras saber
Porque em vida já estou morto
São apenas podes crer
As saudades do teu corpo

E tu que sentes por mim
Desde essa noite perdida
Sentes esse frio em ti
Que eu sinto na minha vida

Eu sei que o teu corpo
Há-de sentir a falta do meu
Por isso eu tenho a saudade
Que o meu corpo tem do teu

Letra: António Calém, música: Fado Mouraria

Cansaço

Por trás do espelho quem está
De olhos fixados nos meus?
Alguém que passou por cá
E seguiu ao deus-dará
Deixando os olhos nos meus.

Quem dorme na minha cama,
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama,
E lá de longe me chama
Misturada nos meus sonhos.

Tudo o que faço ou não faço,
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.

Poema de Luís de Macedo, voz de Amália Rodrigues.

Dezembro 14, 2004

e se eu fosse bonito?

queria ser bonito,
bonito como tu.
se eu fosse assim
não me sentia feio,
feio como eu.

serei tão feio como me sinto?
serei tão feio como me fizeste sentir?

quero chorar

chorar até morrer
chorar esta dor, esta raiva
esta solidão
chorar o sonho que deixei criar em mim
chorar a mágoa de alguém ter entrado em mim
chorar a tristeza de ter sido esquecido.

"deviam chover lágrimas quando o coração pesa demais"

e perguntei, e sonhei
que te ias,
prometeste não,
promessas vãs de quem
para além do castigo de me ser
tinha a solidão e morte
como companhia.

que sou eu, que apenas servi
os interesses de quem mais nada tinha
que sou eu, que quando outro algo chega
tão facilmente é esquecido

serei eu nada?
merecedor apenas
do desprezo
de quem a tudo dei

fui pano que limpou
lágrimas e sonhos pesados
fui lençol que aqueceu
o coração quebrado
fui lágrimas que encheram ego
fui escravo de quem não sabia
carregar sobre si o seu proprio peso.

fui, nem sei se fui
algo para além do que sou,
nada.

agora sou, peso meu e teu
lastro no barco que apanhei
onde outros navegam
sem de mim precisarem
levam-me por me serem
velhos companheiros de dor

mas sei o que sou,
sou o que nada tem
e tudo deu.

e assim vou sobre a vida indo
sem rumo nem estrela
assim vou sob o céu negro e carrancudo,
escondido neste velho sobretudo
escondendo os olhos salgados
e as faces molhadas pelas lágrimas
que apenas eu choro,
apeas eu sinto, pois fui eu que dei
tudo o que tinha,
fui eu que fiquei sozinho, enquanto o sonho partia.

Dezembro 12, 2004

ousei querer Deusa

tenho na mão sangue
meu e dos outros
daqueles que feridos carreguei
até que, recompostos, se foram
e me deixaram só
levo nas minhas mãos
a marca da dor que sofro
e da dor, que não minha, em mim deixada
não tocarei mais
com estas mãos em outrém.
ainda sinto o seu cheiro
ainda sei como é
e ela...
certamente não se lembra quem eu sou
e viva o amor.

e uma vez disse-te que eras estrelas

you have a star that shines on my life and I have a glow that sparkles with your light. How
could you leave this without saying goodbye, because you have a star that shines on my life.
For once in a while you could care about me. It's a chase for simplicity.

The Gift, Wake Up

Dezembro 11, 2004

não sendo disso, toca o seu cerne

Optimista céptico

Eu já estou farto das fotografias
que me querem vender todos os dias
os legionários mais os seus troféus
no chão a sangrar

Não posso mais olhar para aquela imagem
parece que é sempre a mesma paisagem
a hipocrisia deste novo império
faz-me vomitar

Por isso eu tornei-me um optimista céptico
não sou bem igual ao céptico opti-místico
só quero encontrar paz
sem arrastar atrás nem mestre nem Deus

Já temos a informação cruzada
empacotada e globalizada
agora só nos falta a convicção
para acreditar

Há assassinos que não se arrependem
há tantos pensadores que nunca aprendem
e há quem insista sempre em aprender
mas não quer pensar

Por isso eu tornei-me um optimista céptico...

Gostava de ser ecologista exótico
sem perder de vista o meu perfil erótico

Ainda vou ser ilusionista crónico
um mestre da fuga, um mago supersónico

Jorge Palma, Norte

porque há imagens que são reais


limbos, dores e saudades

perdido no limbo
da influente memória
pensamentos mordazes
que ferem a alma
dilacerada mortalmente
sem vida nem calor
que gela o corpo,
reduz a impulsos
movimentos quebrados,
quedas vorazes que me trazem
saudades.

Dezembro 08, 2004

espelho

nada que és
no vazio repleto
de incertezas
de te saberes
incapaz de sentir.

negro és
por dentro nulo
desapaixonado vil
de quem até as estrelas
tiveram medo.

leve de corpo
que até a mais pequena brisa
te levanta e conduz
pesado de alma
que nem tu mesmo sabes
o quanto ela precisa de luz

fecha-la na dor
em suas vestes negras e pesadas
como tu,
torna-la no que ela sempre foi
o vazio de sonhos e pretensões
tornas-te no que sempre foste
altruísta sonhador
que sonha o que já teve e perdeu.

voltarás a ter, te dizem
do alto das suas almas cheias
de sorrisos seus e corpos pesados.
suas palavras te incomodam
retorcem-te a alma na dor
da ferida que permitiste
ao abrires o teu ser na esperança
de ter, o que de um sonho se tratava.

mas sonhos não se têm,
não da forma como te disseram
não como certezas que te deram,
sonhos são incertezas,
são nuvens de quereres,
bolinhas de sabão nas quais
te proteges da dor,
estendes a mão a quem amas,
escondes o vazio da tua alma
e enches o negro do teu peito
do cheiro que te leva
a sonhar uma outra vez.

e quando o sonho se desvanece
a bola de sabão se quebra
num esboço de lua,
voltas a ter o negro ver.

Novembro 26, 2004

e talvez

e talvez seja por isso
porque eu penso
talvez seja por isso
que eu pago
os pecados que não cometi
talvez seja por isso que fico
com as dores que não me pertencem
talvez seja por pensar
que tenho tantos talvez
sei que o que sei nada é
e a única coisa que julguei saber
se esfumou no ar
quebrou-se em mil pecados
e partiu ao luar.


Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer coisa
Que tem que ver com haver gente que pensa...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me coisas...
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente...

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas coisas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.


Alberto Caeiro

E assim, penso e não tenho nada.

Novembro 25, 2004

Gaia

tu que também choras
a desconsideração dos Homens
aceita deste que foi pequeno
príncipe, um pedido.
abre em teu manto fenda
em que eu possa me esgueirar
faz-me da minha semente àrvore
para que os amantes se deitem
à minha sombra, para que eu
não perca o sentido do que é amar.
faz de mim grande e frondosa
para que se algum dia fui amado
e em meus braços encontraram
o conforto tão ansiado
possam de novo ter, em meus ramos
protecção para quando magoados.
faz de mim forte, para que aguente
o embate dos Invernos
que enquanto homem teimaram
em trazer mágoas, passem agora
por mim como leves brisas de Verão.
faz de mim suave como as cores da Primavera
forte como as do Outono,
deixa que escrevam em mim provas de amor,
do amor verdadeiro, daquele que perdura
para além da sanidade e da vaidade.
deixa-me ser pai de filhos de tua graça
deixa-me pagar com vontade o que te rogo
concede-me depressa esta benção
antes que em homem me deixe levar pela morte.

Novembro 23, 2004

Herberto Helder

Não te queria quebrada pelos quatro elementos.
Nem apanhada apenas pelo tacto;
ou no aroma;
ou pela carne ouvida, aos trabalhos das luas
na funda malha de água.
Ou ver-te entre os braços a operação de uma estrela.
Nem que só a falcoaria me escurecesse como um golpe,
trêmulo alimento entre roupa
alta,
nas camas.
Magnificência.
Levantava-te
em música, em ferida
- aterrada pela riqueza -
a negra jubilação. Levantava-te em mim como uma coroa.
Fazia tremer o mundo.
E queimavas-me a boca, pura
colher de ouro tragada
viva. Brilhava-te a língua.
Eu brilhava.
Ou que então, entrecravados num só contínuo nexo,
nascesse da carne única
uma cana de mármore.
E alguém, passando, cortasse o sopro
de uma morte trançada. Lábios anônimos, no hausto
de árdua fêmea e macho
anelados em si, criassem um órgão novo entre a ordem.
Modulassem.
E a pontadas de fogo, pulsavam os rostos, emplumavam-se.
Os animais bebiam, ficavam cheios da rapidez da água.
Os planetas fechavam-se nessa
floresta de som unânime
pedra. E éramos, nós, o fausto violento, transformador
da terra

Nome do mundo, diadema.

Novembro 21, 2004

e hoje?

e hoje, mais um
punhado de solidão
vazio no peito
de quem não sente o coração.

"e cada qual tem o que merece"
eu choro, e tu?

Novembro 18, 2004

quem acende

e assim cantava o pequeno principe
agora escondido do céu,
do olhar de quem soube
como olhá-lo

Quando me olhas
os meus olhos são chaves,
o muro tem segredos,
o meu temor palavras, poemas.
Só tu fazes da minha memória
uma viajante fascinada,
um fogo incessante

Alejandra Pizarnik

Novembro 16, 2004

e assim sou

pequeno nada cheio
de tantas mãos
que me percorrem o corpo
corpos que se desenham no meu
assim me fazem, o que não sou.
olhei em busca da tua, alma,
como quem te procura no teu mais intímo
a cada momento e desde o primeiro
foi a minha, que nos teus olhos pintei.

Novembro 08, 2004

toco e

tudo o que toco
morre
toque de midas negro,
ouro dejecto.

quero tocar
sem matar
quero sentir
sem definhar.

Novembro 07, 2004

Maria do Rosário Pedreira, Nenhum nome depois

Cheguei tarde, e os que sabiam de mim
notaram que o meu corpo já não me
pertencia. E perguntaram. Porque ardia
a tua boca nos meus lábios mais do que
a fogueira do segredo, respondi-lhes

que o céu, afinal , era mesmo azul, e o
verão uma estação maior que o tempo,
e o tempo nada se o teu corpo estava
junto desse corpo que todos já sabiam
que não vinha comigo - e que Deus,
Deus fechava os olhos e existia. Riram

os que te tinham conhecido noutra noite
com outra pele vestida; os outros foram
para muito mais longe que o seu rosto
magoado dizer ao próprio ouvido que eu
mentia. Mas os que ainda queriam saber

de mim pediram-me que lhes contasse
quem eras, o teu nome. E eu mordi essa
boca vermelha que deixara contigo para
não ter de dizer que nem o perguntara.

Novembro 02, 2004

e no dia dos meus anos

enquanto a alma ansiava pelo calor dos seus braços, e os meus se queimavam no calor do metal, alguém se levantou e no alto do seu metro e vinte cantou,

De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia

Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:
São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor, me diz qu'estás sempre comigo.
Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor, me diz qu'estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;

No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor, me diz qu'estás sempre comigo.
Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor, me diz qu'estás sempre comigo.

Barco Negro - David Mourão-Ferreira

e os meus olhos sentiram o molhado das lágrimas, o coração bateu, mais forte.

Novembro 01, 2004

só mais um, mas não igual

e é hoje, mais um
todos os anos acontece
uns melhores outros diferentes
sinto a tua falta, da tua voz
e da tua figura a chamar-me para jantar
sempre tu, ali à porta como quem julga
e cobra maravilhas, de mim,
aquele que nada tem e pouco dá
mas eras tu que me conhecias
eram os teus braços que me davam força
me empurravam, obrigavam
faziam ver quando os olhos queriam fechar
e apenas o irreal queriam ver
não estás aqui agora
para olhar em mim e veres alguém,
que não eu,
pois os meus olhos brilham
e reflectem no mar, a noite fria
de quem abraça o calor de viver.

e sinto noutros braços o abraço forte.

Outubro 31, 2004

"Ainda te sinto ao pé de mim"

e ao som que te faz sorrir
escrevo para me lembrar, desse aroma
que em ti me faz voar.
abraço a saudade, bela saudade
desse teu ser que me envolve
e sussurra ao ouvido, me beija.

Outubro 27, 2004

e o que sobrou?

dor na alma
de incertezas mais que certas
sentimento de perder
o que nunca tive
saber o que não me dizem
sentir o que me negaram
ser apenas um passado
uma peça dum puzzle nunca montado
tudo por nada até ao fim
sorrisos mentidos, falsos caminhos
medos remetidos, ao infortúnio
por um punhado de palavras
que nada significaram
para quem apenas queria
uma porta de escape.